Seculo

 

Após novas denúncias, não faltam motivos para abertura da CPI da Cesan


24/04/2017 às 11:38
A pressão do governo do Estado deu certo e na última quarta-feira (19) e três dos deputados estaduais que haviam assinado o requerimento para a criação da CPI da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), pressionados pelo Palácio Anchieta, voltaram atrás e retiraram suas assinaturas, inviabilizando a abertura da comissão.
 
 
 
Entre as justificativas para esvaziar o CPI estavam a assinatura do requerimento, sem ler e o direcionamento para a situação de Vitória, onde o prefeito Luciano Rezende (PPS) apontava problemas no diálogo com a empresa que poderiam levar o município a suspender a concessão para a empresa.
 
Mas os fatos subsequentes mostram que a CPI seria, sim, oportuna. Além dos problemas encontrados em Vitória, muita coisa mal explicada vem acontecendo na empresa, que é menina dos olhos para o governo do Estado, e grande aposta para privatização – que já está em curso em Vila Velha e Serra –, mas que tem trazido nos últimos dias muitos desgastes ao Palácio Anchieta.
 
Um dos pontos que justificariam a abertura da CPI foi apontada pelo deputado Sérgio Majeski (PSDB), na sessão da última quarta-feira (19). “Essa CPI se faria necessária, sim. Os contratos da Cesan com a Odebrecht giram em torno de R$ 210 milhões. Diretores da Cesan se tornaram diretores da Odebretch e vice-versa. Há muita coisa nebulosa. Essas coisas precisam vir à tona", afirmou.
 
O deputado se referia a Paulo Ruy Carnelli, que no dia seguinte apareceu no rol de denunciados pelo Ministério Público na investigação das relações entre a Cesan e a Delta, empreiteira investigada na Lava Jato. O grupo é acusado de causar um prejuízo aos cofres públicos na ordem de R$ 8,27 milhões, em valores atualizados, por meio de supostas irregularidades em licitações e contratos.
 
Em 2008, há outra denúncia a ser apurada. O contrato de cerca de R$ 240 milhões entre a Cesan e a Odebrecht para obras de saneamento na Grande Vitória. Isso sem falar nas passagens de Paulo Ruy e do novo diretor, Pablo Ferraço Andreão, pela Odebrecht, o primeiro como conselheiro e o segundo como diretor de Meio Ambiente, como critica o Sindicato dos Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos) . Evidentemente, que esses fatos não provam nada, mas geram suspeição, que justificariam a instalação da CPI.

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