Seculo

 

Esgoto veio à tona


24/04/2017 às 22:57
Antes da “delação do fim do mundo” vir à tona, uma frente de sete deputados, puxada pelos pedetistas Euclério Sampaio e Josias da Vitória, iniciava uma articulação na Assembleia Legislativa para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Cesan. 
 
Para conquistar as assinaturas de mais três colegas e atingir o número necessário de deputados para protocolar a CPI, a frente alegava que a empresa acumulava reclamações dos consumidores porque falhava na entrega de dois serviços essenciais: fornecimento de água tratamento de esgoto.
 
A constituição da CPI ganhou força na Assembleia com a iniciativa da Prefeitura de Vitória de encomendar um estudo de uma empresa do Paraná com a intenção de tirar a concessão da gestão do saneamento das mãos da Cesan e entregá-la a outra empresa. 
 
Os argumentos, no primeiro momento, convenceram os deputados José Esmeraldo (PMDB), Gilsinho Lopes (PR) e Padre Honório (PT), que decidiram assinar o requerimento. O líder do governo na Assembleia, Gildevan Fernandes (PMDB) cochilou, quando acordou, a CPI já havia sido protocolada. 
 
Horas depois do requerimento ter sido protocolo, o governo urdia nos bastidores da Assembleia uma manobra rasteira para esvaziar a CPI. O jeito foi enxertar uma “anomalia” num Projeto de Resolução do deputado Sérgio Majeski, que permitiria que os deputados pudessem retirar as assinaturas mesmo após o protocolo do requerimento. 
 
A emenda palaciana permitiu que Gilsinho, Padre Honório e Esmeraldo desertassem a CPI, inviabilizando sua instalação. Para dar um verniz de legalidade à manobra, o Tribunal de Contas do Estado entrou em campo. A corte de contas acatou representação da Cesan para barrar os estudos e consequentemente os planos da Prefeitura de Vitória de tirar a concessão da companhia estatal. 
 
A manobra do governo na Assembleia e a decisão do TCE tornaram a CPI natimorta. Mas os fatos novos mudam tudo. As delações do ex-executivo da Odebrecht Benedicto Júnior, envolvendo o governador Paulo Hartung (PMDB) no esquema de “caixa 2” da empreiteira explicitam a relação próxima entre o peemedebista e a Odebrecht. 
 
Essa relação teria ficado ainda mais estreita em 2008, quando o então governador deu aval para a Cesan firmar um contrato com a empreiteira de mais de R$ 240 milhões a partir do Programa Águas Limpas.
 
Não bastasse, na semana passada foi a vez do Ministério Público Estadual apresentar denúncias que apontam indícios de improbidade administrativa na gestão do então presidente da companhia de águas, Paulo Ruy Carnelli, homem de confiança de Hartung. Carnelli e executivos da Cesan são acusados de irregularidades em licitações e contratos, o que teria causado um prejuízo de R$ 8,27 milhões à companhia. 
 
Se antes o governo alegava que a tentativa de abrir uma CPI para investigar a Cesan não passava de uma conspiração de adversários para desestabilizá-lo politicamente, as novas denúncias tornam a instalação da comissão obrigatória. 
 
Os três “coveiros” que ajudaram a sepultar a CPI na Assembleia ainda podem se redimir e ficar do lado dos interesses da sociedade. Os deputados têm a obrigação moral de ressuscitar a CPI e permitir que ela, a exemplo do processo de tratamento de esgoto, faça uma verdadeira desaneração na companhia. 

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Precipitou-se

Com um olho em 2018 e outro em 2020, Luciano Rezende antecipou o processo eleitoral, mas esqueceu a Lava Jato. Aí mora o problema.

OPINIÃO
Renata Oliveira
Bicho-papão
O ajuste fiscal de Paulo Hartung precisa do exemplo do Rio de Janeiro tanto para cortar quanto para supervalorizar a liberação de recursos
JR Mignone
Qual rádio ouviria hoje?
Sinceramente, não saberia explicar que tipo de rádio eu ouviria hoje, isto é, que me motivaria a ligar o botão para ouvi-la: uma de notícia ou uma só de música selecionada
Caetano Roque
Pressão neles
O movimento sindical deve conscientizar o trabalhador sobre quem estará na disputa do próximo ano contra ele
Geraldo Hasse
A doença da intolerância
Ela está nos estádios, nos governos, nas igrejas, nos parlamentos, nas ruas, nos tribunais
BLOGS
Flânerie

Manuela Neves

Branca, o Teatro e a sala de estar
Panorama Atual

Roberto Junquilho

Fuzis e baionetas, nunca mais!
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Turista acidental
Gustavo Bastos
Blog destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
MAIS LIDAS

Precipitou-se

Posse de tucano no Turismo é demonstração interna de força de Colnago

Subseção da OAB-ES cobra esclarecimento sobre atuação de Homero Mafra na defesa de acusado

Justiça Federal determina que 14 municípios adotem ponto eletrônico para médicos e dentistas

Dary Pagung vai fechar a porta para emendas de deputados no orçamento