Seculo

 

Quem blinda o cidadão?


27/04/2017 às 00:57
O secretário de Segurança Pública, André Garcia, pode se considerar hoje um privilegiado. Há uma semana ele e sua família se locomovem pra cima e pra baixo pela Grande Vitória em veículos blindados. 
 
Os veículos especiais, que não podem ser perfurados por tiros de revólver, pistola e mesmo de submetralhadora, vão custar aos cofres públicos mais de R$ 200 mil/ano. Sem contar as despesas com combustível e pessoal - não se tem a informação oficial de quantos policiais trabalham atualmente na segurança da família Garcia, mas não devem ser poucos.
 
Benefício invejável em um Estado que registrou nos três primeiros meses deste ano 403 homicídios. O número projeta um índice de 40 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. 
 
Com taxa de guerra civil, andar de blindado deve ser um sonho de consumo de toda a população capixaba. Mas quem tem hoje R$ 50 ou 70 mil para blindar o próprio carro ou locar um, como fez o Estado para Garcia? Só blindar o carro também não resolve. E os seguranças armados? Ou seja, o sonho de se sentir mais seguro, que deveria ser um direito garantido ao cidadão pelo Estado, custa caro. Um serviço para poucos. A realidade da população é encarar a violência das ruas, torcendo para voltar vivo para casa todos os dias.
 
A preocupação do secretário com sua segurança pessoal e familiar surgiu durante a paralisação da PM, em fevereiro. À ocasião, Garcia admitiu publicamente que ele e seus familiares estavam sendo ameaçados supostamente por policiais. Ele não quis comentar os motivos da locação dos veículos à prova de bala, mas os acontecimentos recentes apontam que a precaução está relacionada à paralisação da Polícia Militar, que acabou há mais de dois meses. 
 
A decisão de André Garcia de andar de carro blindado suscita a seguinte conclusão: ou ele está com medo da própria PM ou não confia na sua política de segurança ou as duas coisas. 
 
A greve da PM e todo o caos causado nos 22 dias em que a população ficou ao deus-dará mostraram que o secretário André Garcia não tem comando sobre a Polícia Militar, o que justificaria seu temor de estar vulnerável a um suposto atentado, que estaria sendo urdido dentro da própria PM. 
 
A segunda tese põe a população na berlinda, já que o secretário não confia no seu taco. Garcia e família não se sentem seguros, ironicamente, com a política de segurança empreendida pelo próprio secretário. Por dedução lógica, o secretário não confia na sua polícia nem em si mesmo. 

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
CMV
Gandini e a máquina

Atual 'sacada' eleitoral de Fabrício Gandini é na área de segurança e com reforço de comitiva da prefeitura, onde até outro dia era o ''supersecretário''

OPINIÃO
Editorial
As novas roupagens da censura
Os resquícios da ditadura militar ainda assombram a liberdade de expressão no País, estendendo seus tentáculos para o trabalho da imprensa
Eliza Bartolozzi Ferreira
A raposa cuidando do galinheiro
Na lógica do custo-benefício, governo Hartung entende que deve ofertar um ensino pasteurizado, de baixo custo e restrito a quem podem estudar em período integral
JR Mignone
A cobertura da Copa
No mês que antecedeu a Copa e no mês do desenrolar da competição, a Globo abusou da cobertura a ponto de cansar até o telespectador que gosta de esportes
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Entre a salada e o vinho
MAIS LIDAS

Agricultores orgânicos de Santa Maria de Jetibá e de Linz organizam intercâmbio

Ministro do STF mantém afastamento do prefeito de Itapemirim

MPF quer que motoristas multados tenham acesso às imagens das infrações

STJ concede habeas corpus para ortopedista preso em Lama Cirúrgica

Câmara de Vitória realiza a primeira de três audiências sobre Escola Sem Partido