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Delações da Odebrecht mudam expectativas de composições eleitorais para 2018


28/04/2017 às 09:21
As delações premiadas dos ex-executivos da Odebrecht, envolvendo lideranças políticas capixabas, abalaram o cenário político que começava a se desenhar no Estado, podendo afetar os dois principais palanques esperados para o próximo ano, desarmando estratégias que estavam sendo engendradas para o processo eleitoral de 2018, sobretudo ao governo e Senado.
 
O efeito mais imediato parece ter acontecido no grupo que começava a articular um núcleo em torno do ex-governador Renato Casagrande (PSB), citado na delação do ex-executivo da Odebrecht Sérgio Neves como um dos atores políticos do Estado que recebeu recursos de “caixa 2” da empreiteira para irrigar campanhas de aliados nas eleições de 2010 e 2012. 
 
Até então, comentava-se nos meios políticos que havia uma articulação para que os dois atuais senadores que buscam a reeleição, Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB), pudessem compor uma trinca com Casagrande, que disputaria o governo em 2018. Mas depois das delações há dúvidas de que essa parceria sobreviva até o processo eleitoral.
 
Malta não confirma publicamente o fim da parceria entre seus aliados. O comentário é de que Ricardo Ferraço tem evitado exposição para não se desgastar mais. Mas desde o início da que o esquema da Odebrecht veio à tona, o senador Magno Malta vem reforçando a imagem de um ator político que passou ao largo da crise, sobretudo com um vídeo postado nas redes sociais no dia seguinte às delações, quando a sessão no Senado foi cancelada e Malta posou sozinho no Plenário da Casa. Até então, Magno e Ricardo vinham  caminhando juntos Estado afora e posando ao lado de fotos e vídeos nas redes sociais.
 
Ainda no grupo de Casagrande, a inclusão do nome do prefeito Luciano Rezende (PPS) também prejudica a articulação. Casagrande estaria preparando Luciano para sua sucessão, caso eleito em 2018. Mas o prefeito ensaiava furar a fila, se colocando como uma liderança de terceira via, já para a disputa do próximo ano. Como a denúncia também o atingiu, o prefeito mergulhou.
 
No grupo de Hartung, a situação também é complicada. Como o governador evita criar condições para que seus aliados cresçam a ponto de ameaçar seus planos, a situação é complicada. Hartung ensaiou uma articulação com o PSDB no início do ano, propondo a candidatura ao governo ao senador Ricardo Ferraço, o que abriria uma vaga no Senado em que ele e o deputado estadual Amaro Neto (SD) poderiam construir uma parceria para a disputa no próximo ano.
 
Hoje não se sabe quem seriam as lideranças ligadas ao governador em condições de disputar a eleição, sem precisar da presença de Hartung no palanque para os cargos majoritários. Hoje o governador tenta evitar os holofotes em agendas internas, o que tem permitido a circulação do vice, César Colnago (PSDB), pelo Estado. Mas isso não garante a musculatura necessária para uma disputa ao governo.

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