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A PM sendo PM


28/04/2017 às 22:27
No dia 25 de fevereiro último, os policiais militares encerravam um movimento grevista que se estendia por 22 dias. Durante a paralisação da PM, a violência explodiu no Espírito Santo. Foram mais de 200 homicídios e incontáveis furtos, roubos e assaltos. Sem poder contar com a proteção da Polícia Militar, que se mantinha aquartelada, restou à população capixaba se trancar dentro de casa para se proteger da violência. 
 
Apesar dos transtornos causados pela paralisação, os movimentos sindicais e parte da população foram solidários à situação dos policiais. Eles entenderam que, antes de serem policiais, os agentes das forças de segurança eram, acima de tudo, trabalhadores, e às reivindicações por reajuste salarial e melhores condições de trabalho eram legítimas. 
 
Ver a polícia do “outro lado do balcão”, porém, não deixou de ser uma situação pra lá de inusitada. Lideranças sindicais acreditaram que a experiência seria didática para os policiais, que passariam a ter outra visão dos trabalhadores em futuras manifestações por direitos.
 
A greve geral desta sexta-feira (28) seria o primeiro grande teste da PM após a paralisação de fevereiro. Nas redes sociais, às vésperas da greve geral, lideranças sindicais apostavam que os policiais teriam uma postura de tolerância em relação às manifestações dos trabalhadores. Mas não foi isso que aconteceu. 
 
Em pelo menos dois pontos de Vitória  - na Praça de Pedágio da Terceira Ponte e na região central, em frente ao Palácio Anchieta - a polícia agiu com a truculência de sempre. O antigo Batalhão de Missões Especiais (BME), que depois da paralisação de fevereiro, no processo de reestruturação da PM, passou a se chamar Companhia Independente de Missões Especiais, mudou a nomenclatura, mas manteve a fama de polícia violenta e repressora. 
 
Embora os protestos dos trabalhadores tenham sido pacíficos, a PM recorreu à violência para desbloquear vias, impedindo que os trabalhadores se manifestassem democraticamente contra as reformas trabalhista e previdenciária. 
 
Na ação na Praça de Pedágio da Terceira Ponte, a liderança sindical que comandava a manifestação no carro de som não escondeu sua decepção com a PM. À medida que se afastava do local, o locutor criticava a violência dos policiais e ainda tentava conscientizá-los, mesmo que em vão, que os direitos retirados pela reforma também os prejudicava como trabalhadores. 
 
Mas a tentativa de trazer os policiais para o lado dos trabalhadores foi respondida com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. A experiência de 22 dias lutando por direitos não foi suficiente para fazê-los compreender que também são trabalhadores. Com a farda, os escudos e os armamentos em mãos, a PM voltou a ser PM. 

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