Seculo

 

Fundação Palmares se nega a reconhecer comunidade quilombola em Conceição da Barra


08/05/2017 às 17:09
Ou ser reconhecida como um assentamento rural ou ser “adotada” por uma comunidade quilombola já reconhecida. Essas foram as duas opções apresentadas pela Fundação Palmares em visita à comunidade do Córrego da Angélica, em Conceição da Barra, norte do Estado.

A reunião aconteceu na tarde da última sexta-feira (5) e deixou desoladas as lideranças locais. “Nos sentimos excluídos”, desabafa a presidenta da Associação Quilombola de Pequenos Produtores Rurais do Córrego da Angélica (AQPCA), Jurema da Conceição Gonçalves.

Órgão federal responsável pela certificação das comunidades quilombolas no País, a Fundação Palmares, no entanto, se negou a reconhecer o Córrego da Angélica, sugerindo que ela seja incorporada à comunidade do Córrego do Alexandre, já certificada, e composta basicamente por membros de uma mesma família.

Processo semelhante aconteceu com a comunidade do Córrego do Felipe, que foi anexda ao Angelim 2. Os três representantes da localidade, porém, presentes na reunião, disseram que ainda não poderiam emitir qualquer posicionamento e solicitaram que a AQPCA faça a solicitação formalmente, para avaliação.

“Foi como se nós tivéssemos voltado no tempo, no tempo da escravidão. Nós nos sentimos excluídos de uma tal maneira...foi muito triste”, lamenta Jurema.

Segunda a presidente, a justificativa para a negativa da certificação, pela Fundação Palmares, foi o argumento de que os requerentes são oriundos de vários quilombos – Linharinho, Morro da Onça, do Quadrado – e que não têm uma referência de 100 anos. “Nós temos, até mais! Só que não temos aqui, porque viemos pro Córrego da Angélica e fizemos nossa retomada, depois de muito tempo morando fora de nossos quilombos. Nós conhecemos esse córrego, de tomar banho, de passagem, temos uma história aqui”, explica a líder quilombola.

Jurema também criticou a posição dos representantes das Comissões Quilombolas Estadual e Nacional, que apoiaram a posição da Fundação Palmares. “Essa opção de assentamento rural, todos os quilombolas acham humilhante. Nós somos quilombolas. Nós queremos continuar a levar a nossa história, porque não é de agora”, reclama.

A AQPCA vai enviar uma carta à Presidência da Fundação Palmares e a outros órgãos responsáveis, dando ciência do que está acontecendo no Córrego da Angélica e pedindo providências. 

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