Seculo

 

No olho do furacão


10/05/2017 às 15:47
Esta semana, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública-Datafolha divulgou uma pesquisa previsível, mas ao mesmo tempo alarmante sobre os crimes contra a vida. De acordo com o levantamento, que ouviu 2.065 pessoas em todo o País, 35% dos entrevistados disseram conhecer casos de alguém próximo (parente ou amigo) que tenha sido vítima de homicídio ou latrocínio (assalto seguido de morte), ou seja, ou seja, um em três brasileiros conhece alguém que sofreu esses tipos de crime.
 
Como a pesquisa não apresentou os dados por Estado (apenas regionais), não dá para saber se essa média pode ser ainda maior no Espírito Santo. Se considerarmos os números da violência contabilizados até março deste ano - a Secretaria de Segurança Pública ainda não divulgou os dados de abril -, dá para estimar que a realidade do Espírito Santo pode ser ainda bem mais grave por causa dos últimos acontecimentos. 
 
Nos três primeiros meses do ano, 456 pessoas foram assassinadas no Estado. O que representa uma média de 152 mortes por mês e projeta uma taxa anual de 46 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes – índice de guerra civil.
 
A percepção do cidadão, porém, continua sendo mais significativa que qualquer pesquisa. Ele tem indicado que a violência voltou a ser uma preocupação central da sociedade. A violência que engolfa os capixabas alcançou seu ápice durante os 22 dias de paralisação da Polícia Militar, em fevereiro, com mais de 200 assassinatos registrados no período. A greve da PM acabou já faz quase três meses, mas a segurança continua de cabeça para baixo. 
 
Reportagem de A Gazeta (10/05/17) revela que o Estado segue entregue ao deus-dará. No bairro Campo Grande, em Cariacica, a saída que os moradores encontraram para tentar se defender da bandidagem foi a fixação de cartazes nos postes, alertando sobre os riscos de assaltos praticados por motoqueiros. “Cuidado, zona de assaltos. Motoqueiro agindo principalmente a partir das 6h da manhã”.
 
A solução desesperada dos moradores revela a falência do Estado. A população, já resignada com a inépcia do Poder Público, cria seus próprios mecanismos de sobrevivência. O alerta serve para evitar que os moradores mais distraídos sejam surpreendidos pelos criminosos. As dicas incluem, andar com “celular fake”, especialmente para entregar para o ladrão, e andar com quantias módicas de dinheiro no bolso. Relógios, assessorias e jóias à mostra, nem pensar. 
 
Outras zonas vulneráveis ao crime na Grande Vitória ainda não adotaram as placas, mas o boca a boca transmite exatamente a mesma sensação de pânico. Nos pontos de ônibus, o tema que domina as rodas de conversa nos minutos de aflição que antecedem a espera sem fim pelo coletivo é só um: violência. Os usuários relatam os últimos crimes ocorridos, destacando a ousadia dos bandidos; a infelicidade de uma vítima fatal que reagiu a um assalto. Relatos que aumentam ainda mais a tensão de quem já vive na expectativa de se tornar a próxima vítima.
 
Aliás, se a pesquisa do Fórum de Segurança Pública perguntasse aos entrevistados quem conhece ou já foi vítima de assalto, com toda a certeza o resultado seria ainda mais impressionante: dá para arriscar que dez em cada dez pessoas no Espírito Santo já sofreram ou conhecem alguém que foi vítima de assalto. 
 
Solução como a improvisada em Cariacica confirma que o cidadão que depende de cartazes fixados em postes para se defender da violência está abandonada pelo Estado, no olho do furação, entregue à própria sorte.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Leonardo Duarte/Secom
Uma coisa só

Enquanto no campo nacional PRB e MDB ainda estão em fase de namoro, no Estado o partido já é um “puxadinho” de Hartung. E tudo começou com Roberto Carneiro...

OPINIÃO
Editorial
MPES omisso
Ministério Público decidiu não participar das audiências de custódia. Um dos prejuízos: denúncias contra tortura, comumente relatada por presos
Piero Ruschi
Pets: uma questão de responsabilidade socioambiental
Felizes as pessoas que podem ter um animal de estimação! Felizes os animais de estimação que têm um dono responsável!
Gustavo Bastos
Para que Filosofia?
''é melhor existir do que o nada''
Bruno Toledo
Por que negar os Direitos Humanos?
Não há nada de novo nesse discurso verde e amarelo que toma as ruas. É a simples manutenção das bases oligárquicas do Brasil
Eliza Bartolozzi Ferreira
Políticas de retrocesso
Dados educacionais do governo Paulo Hartung são alarmantes
Geraldo Hasse
Vampirismo neoliberal
O governo oferece refrescos aos trabalhadores enquanto suga seu sangue
Roberto Junquilho
Quem governa?
Um novo porto na região de Aracruz demonstra que, para as corporações, as minorias não importam
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Uh, Houston, temos um problem
MAIS LIDAS

Uma coisa só

MPES omisso

Processo de Valci Ferreira e Gratz por crime de peculato será remetido ao STF

Cedrolândia ainda aguarda resposta do prefeito sobre escola condenada

Diretoria do Heimaba não comparece em reunião do Conselho para explicar óbitos