Seculo

 

Comunidade quilombola lança projeto de produção de banana, farinha, mel e viveiro


18/05/2017 às 18:13
Banana, Farinha, mel e viveiro de plantas medicinais e madeiras-de-lei (Bafamel Viver). Essa é a receita da garantia de “emprego e liberdade” reivindicada pela Associação Quilombola de Pequenos Produtores Rurais do Córrego da Angélica (AQPCA).

A comunidade, localizada em Conceição da Barra (norte do Estado), luta para receber o reconhecimento formal como quilombola pela Fundação Palmares, entidade do governo federal responsável por certificar as comunidades quilombolas. Em visita oficial à localidade, no entanto, o representante da Fundação anunciou o arquivamento do pedido feito pela AQPCA, com justificativas contestadas pela entidade, em requerimento encaminhado à presidência da Fundação.

Em paralelo à luta pelo devido reconhecimento oficial, a AQPCA trabalha na preparação de meios de subsistência futuros da comunidade, tendo o Projeto Bafamel Viver como principal estratégia.

Com apoio de voluntários, o projeto tem sido desenvolvido há pouco mais de um ano e já tem estudos agronômicos que indicam ser suficiente para empregar todas as famílias da comunidade e mais cerca de 20 famílias de comunidades vizinhas.

“A banana pra nós vai ser o carro-chefe, que vai dar emprego e liberdade”, explica a presidente da Associação, Jurema Gonçalves. A proposta é fazer um cinturão de bananeiras próximo ao Córrego, para recuperá-lo da grave crise hídrica, beirando a mata. E produzir de forma agroecológica, livre de agrotóxicos.

Da banana a ideia é aproveitar tudo: do tronco, extrair a fibra e, do fruto, produzir o capelete, o pudim, a farinha de banana verde, o pão, a biomassa pra fazer o macarrão, e, claro, o próprio fruto in natura e maduro.

A farinha de mandioca já é tradicional na comunidade. “Mesmo quem não tem farinheira, faz a sua farinha em casa. Rala a mandioca, torce na toalha e torra. Já é uma coisa natural do quilombola”, conta Jurema. O projeto, no entanto, prevê a construção de uma farinheira comunitária, para uma produção comercial.

O mel já tem um produtor no Córrego da Angélica, de abelha sem ferrão. “É bom pras plantas”, explica Jurema. Além disso, o produto tem alto valor no mercado, em torno de R$ 120,00 o litro.

Já o viveiro irá produzir plantas medicinais, fornecendo matéria-prima para medicamentos já fabricados pelos moradores, como xarope, remédio de verme e pomadas. E também “toda aquela madeira que a gente hoje só ouve falar”, diz a líder quilombola, citando madeiras-de-lei que não praticamente se encontra mais na região, como peroba, jacarandá, macanaíba e jequitibá.

O lançamento do projeto será realizado na próxima quinta-feira (25), a partir das 14h, no CRAS Quilombola Negro Rugério, em Santana. Foram confirmadas presenças de políticos de esfera estadual e federal, que, como espera a comunidade, poderão se somar não só à viabilização, mas também à luta da comunidade pelo seu reconhecimento formal como quilombola do Sapê do Norte.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
CMV
Gandini e a máquina

Atual 'sacada' eleitoral de Fabrício Gandini é na área de segurança e com reforço de comitiva da prefeitura, onde até outro dia era o ''supersecretário''

OPINIÃO
Editorial
As novas roupagens da censura
Os resquícios da ditadura militar ainda assombram a liberdade de expressão no País, estendendo seus tentáculos para o trabalho da imprensa
Eliza Bartolozzi Ferreira
A raposa cuidando do galinheiro
Na lógica do custo-benefício, governo Hartung entende que deve ofertar um ensino pasteurizado, de baixo custo e restrito a quem podem estudar em período integral
JR Mignone
A cobertura da Copa
No mês que antecedeu a Copa e no mês do desenrolar da competição, a Globo abusou da cobertura a ponto de cansar até o telespectador que gosta de esportes
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Entre a salada e o vinho
MAIS LIDAS

Agricultores orgânicos de Santa Maria de Jetibá e de Linz organizam intercâmbio

Ministro do STF mantém afastamento do prefeito de Itapemirim

MPF quer que motoristas multados tenham acesso às imagens das infrações

STJ concede habeas corpus para ortopedista preso em Lama Cirúrgica

Câmara de Vitória realiza a primeira de três audiências sobre Escola Sem Partido