Seculo

 

A importância dos probióticos e prebióticos


21/05/2017 às 11:03
Mamãe sempre falou para lavar as mãos antes de comer qualquer coisa, porque a mãozinho pega aqui e acolá e está cheia de bactérias, não é isso? Dizem que mãe está sempre certa, por isso a gente obedece, mas será mesmo as mãos a parte do corpo que tem mais bactérias?
 
A informação que vou te dar hoje não dá isenção de praticar a higiene básica com as mãos, com a boca e com o restante do corpo, através de banhos regulares, escovação de dentes e outros cuidados que a gente aprende desde criança. Mas não é nas mãos que está a maior quantidade de bactérias em nosso corpo.
 
Quem aqui nunca teve uma diarreia das bravas atire a primeira pedra. Pois é. E muitas vezes essa diarreia é causada pela proliferação de bactérias do mal, que avançam sobre as bactérias do bem, que estão no meu, no seu, no nosso intestino, este, sim, o lugar com o maior número de bactérias em nosso corpo.
 
Durante nove meses você está completamente isento disso, ou seja, no período em que está no útero de sua mãe. Mas você cresceu e quis sair para conquistar o mundo, não é verdade? Então, assumiu todos os riscos de sua atitude, até então, involuntária (mais tarde, vai aprender que toda atitude seguida de ação voluntária que você assumir vai implicar em riscos).
 
Deixa eu te explicar melhor isso: as primeiras bactérias começam a povoar o intestino humano exatamente no momento em que aquele serzinho indefeso atravessa o canal vaginal (ou o rombo feito pelos médicos na barriga da mãe, nas cesáreas) e vem ajudar a transformar esse mundo de meu Deus. Isso mesmo: no nascimento você começou a colecionar bactérias em seu intestino e não parou mais.
 
Você já ouviu seus avós falarem em “flora intestinal”? Pois, principalmente nos tempos em que o saneamento básico era precário, havia também uma “fauna intestinal” que eram verdadeiros “monstros” altamente danosos ao desenvolvimento físico humano. Alguns desses “monstros” levavam até a morte. E, lá nos antigamentes, eles tinham que tratar essa “fauna” com alguns remédios meio fortes. É como você combater uma erva daninha na lavoura com um veneno que mata também a planta boa.
 
Essa “flora intestinal” é chamada, hoje, de microbiota e é composta por cerca de mil espécies de bactérias. Assustador? Ainda não é tudo. Estudos sérios no mundo inteiro dão conta de que o nosso intestino contém dez vezes mais bactérias que a quantidade de células contidas em nosso corpo. 
 
Você deve estar se perguntando: o que essa nutri maluca está querendo dizer com isso? O que isso tem a ver com a nutrição? Não me leve a mal, mas tem tudo a ver, porque você pode jogar para vencer nessa guerra do bem contra o mal.
 
Agora, deixa eu te dar uma notícia boa. Essas bactérias são fundamentais para que você tenha vida e saúde. Desde que você faça uma coisa que temos falado muito aqui: alimente-se de forma adequada, para que as bactérias do bem prevaleçam sobre as bactérias do mal. Existe um tipo de alimento preferido das bactérias do bem, que vão te proteger o tempo inteiro.
 
Você já ouviu falar de prebióticos e probióticos? O assunto pode ser chato e meio técnico, mas é importante você saber que, graças à Ciência da Nutrição, hoje podemos tratar com muita eficiência esse grande campo de defesa orgânico que é nosso intestino, com uma boa alimentação.
 
Se você não se preocupar com isso, lamento informar que estará dando passos largos para engrossar as preocupantes estatísticas oficiais das doenças de causas evitáveis, como a maioria dos casos de obesidade e suas consequências mais visíveis, como diabetes, pressão alta e doenças cardíacas. Sem contar o câncer de cólon, que tem aumentado muito no Brasil e nos países ocidentais, estando associado a esses maus hábitos.
 
Já falei anteriormente sobre como você pode fazer uma autolimpeza intestinal (isso, antigamente, por falta de conhecimentos mais apurados, que ainda estão, na verdade, avançando, era feito com lavagens intestinais), mas é importante falar um pouco mais dos prebióticos, probióticos e, ainda, os simbióticos.
 
Resumidamente, os probióticos são micro-organismos vivos que, ingeridos em quantidades adequadas, irão afetar de forma positiva, direta ou indiretamente, a nós.
 
Os prebióticos são componentes alimentares que estimulam de forma seletiva a proliferação de bactérias benéficas. E os simbióticos são a combinação de probióticos e prebióticos.
 
Lá pelos anos 30 do século passado, no Japão, um carinha muito inteligente chamado Shirota, isolou uma bactéria, que chamou de Lactobacillus acidophilus Shirota e, depois, de Lactobacillus Casei Shirota, que é a base de uma bebidinha muito útil desenvolvida pela indústria chamada Yakult. Conhece?
 
Pois é, esse gênio de olhinhos puxados nos deixou esse legado. Os probióticos são encontrados em leites fermentados e em iogurtes. O Yakult, e não ganho nada para isso, é um exemplo bem clássico, mas a boa indústria nos tem oferecido outras boas opções. Agora, não fique pensando que é tomar hoje e esquecer da vida. O consumo de nutrientes precisa ser uma rotina em nossa vida. 
 
Já os prebióticos são fibras, que resistem à acidez do estômago, atravessam direto esse campo minado e vão combater a nosso favor lá no nosso intestino, fortalecendo nossas boas bactérias. Reafirmo o que já disse antes: nosso intestino é considerado o segundo cérebro e é lá que ocorre a absorção dos nutrientes separados pelo nosso amigo estômago.
 
A professora Susana Marta Isay Saad, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, tem importantes estudos sobre isso e nos aconselha a ficarmos atentos à qualidade dos que comemos para que possamos ter uma boa saúde intestinal. Ela destaca, como prebióticos, principalmente uma fibra chamada inulina. Saiba mais sobre isso e consuma mais desses alimentos.
 
Como uma dica, quero deixar um conselho: as autoridades sanitárias e de saúde já definiram que precisamos ingerir de 25g a 35g de fibras por dia e a média de consumo do brasileiro é de apenas 12g. E isso tem que ser feito todo dia, a exemplo de todos os outros macro e micronutrientes necessários para o equilíbrio de nosso corpo.
 
Sei que, às vezes, não é fácil você ler um artigo desses até aqui, mas a quem chegou até o final eu só tenho a dizer “meus parabéns”. Isso pode salvar a sua vida.
 

Lídia Caldas é nutricionista pela Faculdade Católica de Vitória, especialista em Nutrição Esportiva pela Universidade Gama Filho (RJ) e gestora de Unidade de Alimentação e Nutrição. Fale com a nutri: lidiarncaldas@gmail.com

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