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Hartung contratou advogado preso na Lava Jato para se defender de delação da Odebrecht


22/05/2017 às 13:24
O governador Paulo Hartung (PMDB) contratou os serviços do advogado Willer Tomaz de Souza, preso na última semana por comprar informações privilegiadas do Judiciário para o grupo JBS, para defendê-lo das delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. Consta no sistema do Supremo Tribunal Federal (STF) uma procuração (veja abaixo à direita) de Hartung dando poderes ao advogado para atuar nos “procedimentos derivados da Petição nº 6.633/DF em todas as instâncias judiciais”.

Segundo informações do Estadão, Willer Tomaz é investigado por receber R$ 8 milhões com a missão de conseguir o arquivamento do inquérito contra o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, na Operação Greenfield – que apura desvio em fundos de pensão. As delações apontam que o interesse no grupo com o advogado se dava em função das ligações com integrantes do Judiciário em Brasília. Ele foi preso na última quinta-feira (18). O advogado também mantém um escritório em Vitória, na Enseada do Suá.

Mas quase um mês antes de sua prisão, o advogado foi escolhido por Hartung para atuar na sua defesa dentro da Operação Lava Jato. Citado na delação do ex-presidente de Infraestrutura da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior (BJ), o governador capixaba deve ser alvo de um inquérito junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decorrência do foro especial por prerrogativa da função. A Procuradoria-Geral da República (PGR) estaria acertando os últimos detalhes do procedimento, conforme informou a Folha de S. Paulo.

No acordo de delação premiada, homologada pelo STF, o executivo citou pagamentos feitos a Hartung. Segundo o BJ, o governador teria recebido R$ 1 milhão da empreiteira durante as campanhas eleitorais de 2010 e 2012. O dinheiro teria sido entregue ao ex-chefe de Gabinete de Hartung, Neivaldo Bragato. BJ relatou ainda encontros com Hartung – que ganhou o apelido de “baianinho” nas planilhas da empresa –, um deles ocorrido na residência oficial do Governo, na Praia da Costa, em Vila Velha.

Em sua defesa, Hartung vem sustentando que a denúncia não faz sentido porque ele não disputou as eleições daqueles anos, mas a delação revela que os recursos seriam destinados para aliados que disputaram as duas eleições em questão. Em 2010, Hartung apoiou a candidatura de seu sucessor Renato Casagrande (PSB) e do senador Ricardo Ferraço (PSDB) – também citado na delação da Odebrecht –, além de deputados federais e estaduais ligados da base aliada.

Na eleição seguinte, Hartung também apoiou candidaturas a prefeito no Estado, com destaque para o candidato Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que enfrentou e foi derrotado por Luciano Rezende (PPS), na disputa pela prefeitura de Vitória. Ambos foram também citados como recebedores de doações de campanha da Odebrecht.

Repercussão

O deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB), único de oposição na Assembleia Legislativa, utilizou seu perfil no Facebook para lembrar que o advogado preso também defende outras autoridades públicas no Espírito Santo, além do governador Hartung. Foram citados pelo parlamentar: o atual secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior, e o conselheiro do Tribunal de Contas, Sérgio Manoel Nader Borges. “Será que alguns clientes terão o mesmo destino [do advogado]?”, questionou o tucano.

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