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Sérgio Majeski: 'O Senado me atrai. Tenho os pés no chão, mas não me assusto com desafios'


15/06/2017 às 14:47
A Rede Sustentabilidade movimentou o mercado político capixaba no início desta semana ao registrar o encontro entre duas lideranças jovens do também novato partido com o deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB). Na foto, o tucano aparece ao lado de Gustavo de Biase e André Toscano - homem de confiança da principal liderança do partido no Estado, o prefeito da Serra Audifax Barcelos. 
 
A “legenda” da foto sugere que as portas do partido estão escancaradas para o deputado. E diz mais, já o “registra” na “chapa dos sonhos” dos redistas, com Audifax candidato a governador e Majeski ao Senado. 
 
Independentemente do convite da Rede estar ainda na fase do flerte, a notícia agitou o mercado político capixaba. Se alguém ainda tinha uma ponta de dúvida sobre o protagonismo político de Majeski, agora deve ter se convencido de que o deputado é definitivamente um dos players do processo político de 2018.
 
A investida da Rede também não acontece por acaso. Desde que os escândalos envolvendo a Odebrecht e depois a JBS vieram à tona, Majeski passou a fazer críticas cada vez mais contundentes à posição do PSDB de seguir no governo do presidente Michel Temer (PMDB). O deputado também não vem fazendo reservas na hora de criticar lideranças importantes do próprio partido, como o senador afastado Aécio Neves, encalacrado até o pescoço na Lava Jato. 
 
Além de defender, ao lado de outras lideranças mais progressistas do PSDB, o desembarque imediato do governo Temer, o deputado também incluiu no pacote o rompimento com o governo Paulo Hartung (PMDB). Oposição declarada à gestão do governador peemedebista, Majeski vem dividindo opiniões dentro do PSDB estadual. A maioria dos tucanos reconhece o deputado como a prata mais preciosa da casa para o processo político de 2018. Mas há lideranças que não escondem o desconforto com os ataques contumazes ao governo Hartung. 
 
O vice-governador César Colnago é um dos mais incomodados. Por compartilhar a gestão com o governador peemedebista, ele também se sente atacado pelo correligionário. Esse clima de animosidade tornou-se público na prestação de contas do governo na Assembleia, quando uma manobra do Palácio Anchieta evitou que Hartung ficasse frente a frente com o deputado. oportunamente, o vice foi escalado para fazer o papel de escudo do governador para o embate irremediável de Majeski com o governo.
 
Se já havia insatisfação do deputado em relação ao PSDB, o episódio distendeu de vez a relação de Majeski com o partido. A ponto de o deputado já admitir que está aberto às conversas com outras agremiações. Antes mesmo do convite da Rede, o tucano afirma que havia sido sondado pelo PPS do prefeito de Vitória Luciano Rezende. Mas Majeski afirma que qualquer decisão sobre mudança de legenda só deverá ser tomada na janela de transferência partidária, em março de 2018. 
 
Se a legenda que abrigará Majeski na disputa de 2018 ainda é uma incógnita, o deputado começa a revelar, aos poucos, quais seriam suas aspirações para o processo eleitoral do ano que vem. Embora o presidente estadual do PSDB, Jarbas de Assis, tenha “lançado” Majeski candidato a deputado federal, o tucano não esconde que a Câmara não lhe balança. Ele não descarta a reeleição a Assembleia, mas não esconde um certo fascínio pelo Senado. “O Senado me atrai. Tenho os pés no chão, mas não me assusto com desafios. Não tenho esse medo. Não sou um político carreirista”. Majeski quis dizer que não tomará uma decisão sobre que cargo irá disputar, preocupado apenas em não trocar o certo pelo duvidoso que, no caso, seria a certeza de uma reeleição à Assembleia (que ele, humildemente, não considera como certa) pelo risco de entrar numa disputa dura ao Senado, mesmo sabendo do tamanho do desafio que é concorrer a um cargo majoritário. 
 
Majeski admite que a eleição de 2018 terá características peculiares em função da crise política que desgastou as imagem dos partidos e da classe política. Para ele, o debate eleitoral passará necessariamente por temas como corrupção, ética e impunidade. Temas, aliás, que o deputado pode enfrentar de peito aberto, por ter a ficha não só limpa como intacta. 
 
A partir dessa perspectiva do eixo da eleição, Majeski destaca a importância do PSDB ter deixado o governo Temer. Aliás, ele afirma que o partido nem deveria ter aceitado fazer parte deste governo. Mesmo que o PSDB desembarcasse amanhã do governo, o deputado tem dúvidas se o partido conseguiria recuperar sua imagem junto à sociedade a tempo, com o processo eleitoral tão perto. “Não vejo um esforço do PSDB de entender o que está acontecendo [no país em relação aos escândalos de corrupção]”, afirmou Majeski, se referindo à decisão da Executiva Nacional que optou por seguir com o governo federal. 
 
Ele afirma que não pode compartilhar uma decisão tomada por “meia-dúzia de caciques”. O deputado diz que o partido não ouviu os diretórios estaduais, que, por sua vez, também não consultou os membros do partido sobre o assunto. “O Jarbas [de Assis] não conversou com o partido para representar o diretório estadual em Brasília”, contesta. “O que o PSDB espera continuando no governo? É o abraço dos afogados”. 
 
O posicionamento do PSDB, segundo o deputado, causa desconforto aos membros do partido que não querem seguir no governo Temer. “As pessoas me falam que conseguem me separar do partido, mas ao mesmo tempo me cobram que não posso continuar servindo como álibi do partido”. Majeski diz que costuma responder a questão com a pergunta: “Você acha que eu deveria ir pra onde?”. 
 
A resposta a essa pergunta é complicada. De acordo com o deputado, os partidos menores que, em tese, estão fora dos escândalos de corrupção, normalmente são alvos vulneráveis de cooptação de partidos maiores e de grandes lideranças. Outros pequenos, segundo Majeski, tem posição muito radical à esquerda, o que não combina com suas convicções ideológicas. “Me classifico de centro-esquerda”, conclui. 

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