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Coser admite desembarque do governo, mas evita falar em rompimento com Hartung


19/06/2017 às 14:09
Ao anunciar que vai seguir as resoluções aprovadas no início de maio último durante o Processo de Eleições Diretas (PED) do PT, que determinaram que o partido desembarque imediatamente do governo do Estado, João Coser está cumprindo simplesmente uma decisão que cabe ao presidente estadual da legenda. Não poderia ser diferente. 
 
Em entrevista ao jornal Século Diário, logo após o PED, questionado se cumpriria a resolução de deixar o governo Hartung, Coser garantiu que cumpriria a decisão, mas fez questão de corrigir que a resolução se estendia também aos municípios. Fez questão de não pessoalizar a decisão com o governador Paulo Hartung, embora a motivação para o pleito tenha surgido exatamente para respaldar o rompimento definitivo com o Palácio Anchieta.
 
O desejo de deixar o governo Paulo Hartung (PMDB) é uma demanda antiga das correntes internas do PT contrárias a Coser. Mas o presidente da legenda, que escolheu se aliar a Hartung desde que assumiu seu primeiro mandato à frente da prefeitura de Vitória, em 2004, vem neutralizando a pressão interna ao longo desses anos e mantendo o partido com o governo. O próprio Coser, logo que Hartung assumiu seu terceiro mandato, aceitou comandar a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, prova de quão estreita é essa relação. Coser deixou o cargo justamente para disputar a presidência do partido com o deputado federal Givaldo Vieira. 
 
No mesmo contestado PED que reconduziu Coser à presidência do partido por uma diferença de seis votos, os delegados decidiram que o partido deixaria o governo Hartung. Como àquela altura os nervos estavam à flor da pele, poucos perceberam que Eliézer Tavares, aliado de Coser, emplacaria uma “emenda jabuti” na resolução que determinou o desembarque. 
 
Os petistas que defendiam o rompimento com o governo Hartung não perceberam a manobra de Eliézer de incluir no pacote o desembarque não só do governo, mas de todas as administrações municipais que se posicionaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff, como se fazer parte de uma prefeitura que comanda 20 mil habitantes tivesse peso equivalente ao governo. 
 
Um petista que estava no PED garantiu que Eliézer jogou a emenda duvidando que ela pudesse ser aprovada. “O próprio Eliézer ficou embasbacado ao ver seu ‘jabuti’ sendo aprovado. Ele sabia que a proposta era inviável. Disse: “Fiz só para provocar’”, revelou a fonte petista, que advertiu: “A nacional nunca aprovou algo semelhante”. 
 
As declarações do secretário de Trabalho e Assistência Social, o ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione, deixam claro que a “emenda jabuti” pode servir de subterfúgio para, ao menos, adiar o desembarque do governo Hartung. Casteglione disse ao jornal A Gazeta (10/06/17) que só cumprirá a decisão se a resolução aprovada for cumprida integralmente, ou seja, o desembarque tem de ser estendido aos municípios, o que inviabilizaria a decisão. 
 
Para fora, o posicionamento de Coser é de quem pretende cumprir a resolução à risca, na linha: “vamos cumprir, mas vamos cumprir tudo”. Mesmo estando fragilizado por ter saído de um PED muito contestado pelo adversário Givaldo Vieira — que ainda aguarda um posicionamento final da Comissão de Ética da nacional do PT sobre a suspeita de fraude no processo eleitoral —, Coser não esconde sua estratégia de se manter ao lado do governador Paulo Hartung, tanto que ele não entra no mérito da resolução que também prevê a saída da base do governo Hartung. 
 
Isso obrigaria que os dois deputados petistas (Padre Honório e Nunes) na Assembleia rompessem com a base do governo. Honório, ultimamente, até vem tendo uma posição mais independente em relação ao Palácio Anchieta, votando, em algumas ocasiões, contra o governo. Já Nunes não demonstra nenhum interesse de abandonar a base governista, reverberando o desejo velado de Coser que, aliás, só venceu a eleição graças à aliança que compôs com o deputado sindicalista.
 
Na noite desta segunda-feira (19), a executiva estadual do PT se reúne para encaminhar as resoluções aprovadas no PED. Coser deve começar a notificar nesta terça-feira (20) os petistas que devem entregar os cargos. O presidente do PT estima que cerca de 20 membros estejam no governo do Estado e outros 100 vinculados a prefeituras que se posicionaram a favor do impeachment de Dilma.

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