Seculo

 

Acesso seletivo


27/06/2017 às 09:14
O deputado Sergio Majeski (PSDB), referência da comunidade escolar na Assembleia Legislativa, acertou ao cobrar explicações da Mesa Diretora sobre os fatos ocorridos na sessão especial da última sexta-feira (23) no plenário Dirceu Cardoso. De iniciativa do deputado Esmael Almeida (PMDB), a sessão trouxe o idealizador do projeto “Escola sem Partido”, Miguel Nagib, para “debater” o tema. 
 
“Debater” não é bem a palavra, já que Esmael queria apenas enaltecer os princípios defendidos por Nagib e contemplados no projeto de sua autoria que tramita na Casa. A proposta do deputado evangélico, em linhas gerais, proíbe a prática de “doutrinação política e ideológica em sala de aula, bem como a veiculação, em disciplina obrigatória, de conteúdos que possam conflitar com as convicções religiosas ou ‘morais’ dos estudantes ou de seus pais e responsáveis”. 
 
Por mais polêmica que seja a proposta, o deputado tem todo o direito de manifestar suas convicções sobre o tema, só não pode usar um espaço público para impedir que segmentos da sociedade que não comungam das mesmas ideias também se manifestem. 
 
Esmael errou ao negar o acesso a representantes da comunidade escolar ao plenário da Casa. Por orientação do deputado, os organizadores alegaram aos professores que só poderiam acompanhar a sessão do plenário os convidados previamente inscritos. Desculpa estapafúrdia para impedir que o tema fosse amplamente debatido e o evento perdesse o propósito de enaltecer festivamente o “Escola sem Partido” e enveredasse pelo caminho do embate de ideias. 
 
Se Esmael queria se promover perante a comunidade evangélica como o deputado que luta para implantar o “Escola sem Partido” no Estado, fizesse o evento em um espaço particular, em um centro de convenções ou auditório de um hotel. Em um espaço privado, obviamente, ele poderia determinar as regras a seu modo. Cobrar ou não ingresso, reservar lugares a convidados Vips, definir o formato do debate e até restringir o acesso à comunidade evangélica. 
 
Inaceitável é impedir que pessoas contrárias à proposta do “Escola sem Partido” se manifestem num suposto debate na chamada “Casa do Povo”. O deputado usou o mais público dos espaços de maneira seletiva. 
 
Representantes da comunidade escolar que foram cerceados do direito de participação no debate já registraram boletim de ocorrência e estão denunciando o caso ao Ministério Público. Eles devem agora exercer pressão sobre a Mesa Diretora da Assembleia, já provocada pelo deputado Sergio Majeski, para que os direitos que foram violados sejam restaurados e os culpados responsabilizados.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Fazendo escola

Temer em Brasília, Hartung e Luciano Rezende no Espírito Santo: retaliações a quem anda “fora da linha” nunca estiveram tão na moda como agora

OPINIÃO
Editorial
Em causa própria
Promotor Marcelo Zenkner usa cargo público para promover projeto pessoal
Piero Ruschi
Festa de fachada
Comemoração da Sambio evidencia que o Museu Mello Leitão segue precisando de verdadeiros amigos
Renata Oliveira
Pela emoção
Magno Malta sempre tem uma carta na manga para a disputa eleitoral. Mas desta vez o cenário é diferente
JR Mignone
O repórter e a polícia
A vítima não foi repórter, foi a professora
Caetano Roque
Inversão de papéis
O movimento sindical foi dar uma de direita e agora perdeu o caminho da rua
BLOGS
Blog do Phil

Phil Palma

Um homem nu.
Flânerie

Manuela Neves

Sizino, o pioneiro
Panorama Atual

Roberto Junquilho

O cinismo explícito e a esperança de fora Temer renovada
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

O tempo entre as vírgulas
Gustavo Bastos
Blog destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
MAIS LIDAS

Promotor com trabalho atrasado está prestes a ser premiado para passar um ano nos Estados Unidos

Grupo de Luciano tenta sufocar oposição com corte de cargos

Fazendo escola

PP classifica como 'desproporcional' críticas de vereador contra Hartung

Hartung e Casagrande seguem disputando espaço no interior