Seculo

 

Discurso e prática


05/07/2017 às 12:45
O pacote de bondade do governador Paulo Hartung (PMDB) inclui a aprovação do Fundo de Redução das Desigualdades Regionais. A fórmula não é nova, muito pelo contrário, tem se tornado uma prática comum na relação do governo do Estado com os municípios. O que chama atenção nesse debate é o fato de que essa estratégia vai contra tudo aquilo que o governador vem defendo em relação à saúde da máquina pública.
 
Ao assumir o governo, Hartung pregou uma quebradeira do governo o que subsidiou uma política de cortes e enxugamento. Nacionalmente, Hartung estufou o peito para criticar a proposta de renegociação das dívidas dos Estados. Dizia que o Espírito Santo era um exemplo a ser seguido e que era preciso fazer o dever de casa.
 
Procurado pelos prefeitos Hartung indicou a mesma fórmula, para que os municípios pudessem fazer os cortes necessários e investir nas parcerias público-privadas para baratear os custos e desenvolver os projetos. Com a eleição e a posse dos novos prefeitos, o discurso se manteve. Os novos gestores foram orientados a buscar suas próprias ferramentas para equilibrar as contas.
 
O discurso de austeridade de Hartung, porém, não cola mais. Depois da greve da Polícia Militar em fevereiro deste ano, motivada, em grande parte, pela falta de reajustes da categoria, o papo de cortes não convence como grande estratégia de gestão. A pressão dos prefeitos aumenta e o cenário político do próximo ano também passa a influenciar na discussão.
 
O sucesso eleitoral do governador Paulo Hartung em 2014 foi atribuído ao amplo apoio do interior. Mas essa relação hoje não é mais tão favorável ao peemedebista, justamente por falta de movimentações palacianas no interior na primeira parte do governo. Paralelamente, a senadora Rose de Freitas (PMDB) tem nadado de braçada com a injeção de recursos nas prefeituras, atraindo emendas com o governo federal.
 
Desde a crise do início do ano, Hartung tem retomado seu caminho para o interior do Estado para recuperar esse espaço. Dentro desse projeto, vem o Fundo de Redução da Desigualdade, que garante o apoio dos municípios no processo do próximo ano.
 
Mas o governador parece se preocupar com o discurso, na medida em que põe o secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior, vem tentando amenizar a movimentação. Mas o que aparece na foto é a situação de ajuda do governo aos municípios, o que revela que o “exemplo do Espírito Santo” não é uma fórmula real, nem mesmo para dentro de casa, ainda mais para o País.
 
Fragmentos:
 
1 – Na reunião do governador Paulo Hartung (PMDB) com o prefeito de Muqui, Renato Prúcoli (PTB) fica evidente um grande problema do desenvolvimento do Espírito Santo. Tanto se aperta nos cortes de recursos e enxugamento de máquinas, mas não se discute um desenvolvimento do Estado para além do litoral. É inadmissível que um governo chegando ao seu terceiro ano, sendo que antes disso já havia passado oito anos à frente do Estado, ainda fale em fazer um levantamento para descobrir as potencialidades de um dos seus municípios.
 
2 – O PSB teve uma derrota dupla no município de Muqui. Primeiro, venceu, mas não levou com a impugnação da candidatura de Frei Paulão. E Agora, na eleição extemporânea, com a derrota do vereador Cacalo, apoiado pelo partido. Para Renato Casagrande, as derrotas regionais podem ter efeito cumulativo no próximo ano.  
 
3 – O deputado Freitas (PSB) não poupou elogios ao líder do governo Rodrigo Coelho (PDT) na sessão desta quarta-feira na Assembleia. Disse que se o pedetista estivesse no cargo desde o início do atual governo, muitos problemas de relacionamento no plenário teriam sido evitados. Parece que os problemas de diálogo de Coelho com os colegas, quando teria tentado disputar a eleição da Mesa Diretora, foram totalmente superados.

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Comentários

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Com um olho em 2018 e outro em 2020, Luciano Rezende antecipou o processo eleitoral, mas esqueceu a Lava Jato. Aí mora o problema.

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Renata Oliveira
Bicho-papão
O ajuste fiscal de Paulo Hartung precisa do exemplo do Rio de Janeiro tanto para cortar quanto para supervalorizar a liberação de recursos
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Sinceramente, não saberia explicar que tipo de rádio eu ouviria hoje, isto é, que me motivaria a ligar o botão para ouvi-la: uma de notícia ou uma só de música selecionada
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