Seculo

 

Governo não aprendeu com a crise da PM


05/07/2017 às 21:29
Na sessão dessa terça-feira (4) na Assembleia o deputado Gilsinho Lopes (PR) perdeu a paciência com o Comando da Polícia Militar. Na condição de presidente da Comissão Especial de Processos contra os PMs, Gilsinho afirmou que está havendo desrespeito por parte do comandante da Polícia Militar, coronel Nylton Rodrigues, ao ignorar a solicitação dos deputados.
 
Segundo o deputado, no último dia 8 de maio, membros da Comissão se reuniram com a cúpula da PM e representantes do governo e dos policiais. Os deputados exigiam informações sobre os procedimentos abertos contra os policiais militares envolvidos na paralisação da PM, ocorrida em fevereiro deste ano.
 
Gilsinho afirmou que as informações foram solicitadas há mais de um mês, mas até agora a Comissão não recebeu resposta. O descaso irritou o deputado, que criticou o coronel Ilton Borges. “Ele [coronel Ilton] voltou para fazer maldades com os policiais”, disparou Gilsinho, se referindo ao fato de o coronel, que estava na reserva, ter sido convidado para assumir o cargo de assessor da Corregedoria no início da greve da PM.
 
O coronel Ilton, provocado a repercutir as declarações, reagiu mal às críticas do deputado. Ilton, que é um dos encarregados em apurar e punir os PMs envolvidos na greve, reprovou o termo usado por Gilsinho (“fazer maldades”). Ele considerou o termo inapropriado para um deputado. “Se ele quer criticar, que faça acusações formais”. Antes, porém, disparou alguns impropérios (impublicáveis) contra o deputado, classificando a atitude de Gilsinho como eleitoreira. “Está querendo ganhar votos”, provocou o coronel Ilton.
 
O protesto do deputado, que classificou como falta de respeito por parte do Comando-Geral da PM ignorar os pedidos da Comissão, e a reação acintosa do coronel Ilton às críticas do parlamentar, revelam o acirramento entre os deputados, que representam o Legislativo, e os oficiais do Comando da PM, que representam o governo do Estado.
 
Ninguém discorda que a crise que paralisou a PM do Espírito Santo por 22 dias, causando um colapso social e deixando um saldo de mais de 200 mortes violentas, não explodiu de uma hora para outra. O esfacelamento da relação entre governo do Estado e policiais militares foi um processo longo, anunciado, marcado, sobretudo, pela falta de sensibilidade do Palácio Anchieta em abrir um canal de diálogo com a categoria antes que a situação saísse do controle. E acabou saindo. O movimento da PM, depois de um longo período de incubação, só eclodiu graças à inércia do governo, que quando acordou estava com uma das maiores crises da segurança na sua porta.
 
A greve da PM deveria ter ensinado ao governador Paulo Hartung (PMDB) que a capacidade de dialogar, de preferência com transparência e honestidade, é sempre o melhor caminho para buscar uma saída negociada para uma crise.
 
De outro lado, a queda de braço insana aumenta a tensão e cria as condições favoráveis para que o rastilho de uma nova crise na segurança se acenda novamente. 

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