Seculo

 

'Minha casa, meu pesadelo'


06/07/2017 às 23:52
Há um ano, Audifax Barcelos (Rede) e Sérgio Vidigal (PDT), ambos, à época, em plena campanha eleitoral pela prefeitura da Serra, se acotovelaram na disputa por espaço no evento de entrega das 608 unidades habitacionais do Ourimar 1 e 2, do programa Minha Casa, Minha Vida. Os adversários não queriam perder por nada a oportunidade de dividir um momento tão especial para mais de 2 mil pessoas que estavam realizando o sonho da casa própria. 
 
Nesta quinta-feira (6), exatamente um ano depois da entrega das unidades, o sonho da casa própria virou um pesadelo assustador. Cerca de 400 policiais, civis e militares, realizaram uma megaoperação no conjunto habitacional. Com mandados de busca em mãos, os policiais revistaram 300 apartamentos, ou seja, metade das unidades. Foram presas 14 pessoas e apreendidas armas e drogas.
 
O delegado que comandou a operação, Romualdo Gianordoli Neto, disse que os moradores viviam como reféns dos grupos criminosos. Moradores que se recusavam a esconder armas e drogas para os criminosos em suas casas, segundo o delegado, eram ameaçados de morte e expulsos do próprio lar. De acordo com a polícia, pelo menos 15 famílias foram expulsas de suas casas desde que o conjunto habitacional foi sitiado pelas facções criminosas.
 
Por se transformar num antro de criminosos, o conjunto habitacional passou a ser conhecido na região como “carandiru”, em menção ao extinto complexo prisional de São Paulo, que inspirou o filme (2003) de mesmo nome, e baseado no livro “Estação Carandiru” (1999), do médico oncologista Drauzio Varella. 
 
Ourimar virou “carandiru” por causa do abandono do Estado. A operação policial que aconteceu nesta quinta-feira é a prova inconteste da ausência do Poder Público. A intervenção foi para reprimir a criminalidade, mas falta tudo no bairro. Além de segurança, os moradores carecem de infraestrutura de saúde, educação, transporte, só para citar as básicas. Construíram as unidades, entregaram as chaves e desejaram simplesmente boa sorte. Faltou assegurar a infraestrutura para dar suporte a essas 600 famílias. As retaguardas de saúde e educação dos bairros do entorno - Vila Nova Colares, Feu Rosa e Manguinhos - não estão prontas para absorver a demanda de Ourimar. Resultado, os moradores de Ourimar ficam entregues ao “deus-dará”. 
 
As duas principais lideranças políticas da Serra, Audifax e Vidigal, que há um ano brigavam para entregar as chaves da tão sonhada casa própria aos “felizardos”, não foram vistos na megaoperação da polícia para libertar os moradores que viraram reféns da bandidagem. O bairro batizado Ourimar, por descaso do Poder Público, ganhou a alcunha de “carandiru”.

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