Seculo

 

Cenário de sonhos


10/07/2017 às 12:13
Cresce nos meios políticos a aposta de que a expectativa do governador Paulo Hartung (PMDB) é mesmo disputar a reeleição em 2018. Nesse sentido, o peemedebista já entra em campo para criar o cenário dos sonhos para o processo eleitoral. Um dos principais entraves para esse projeto, porém, está dentro do PMDB. Ele tenta neutralizar Rose de Feitas, seu alvo prioritário desde que a senadora manifestou a intenção de disputar o governo.
 
Prestes a sair do partido, ele poderia deixar o caminho livre para que Rose reorganize o PMDB e consiga os apoios necessários para seu palanque. Neste sentido, Hartung estaria trabalhando em várias frentes para isolar a senadora, que tem um forte apelo municipalista.
 
Esta, aliás, foi a primeira investida de Hartung para tirar força política de Rose de Freitas. Na eleição da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), o governador impôs uma derrota indireta à senadora, que apoiava Gilson Daniel, prefeito de Viana. O candidato palaciano, o prefeito de Linhares Guerino Zanon (PMDB), levou a melhor na disputa pelo comando da entidade. A movimentação, porém, exigiu um gasto de energia grande por parte do governador e seus emissários.
 
A aproximação com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é outra movimentação importante para tirar a influência de Rose sobre os prefeitos. A iminente derrocada do presidente Temer fecharia as portas do Palácio do Planalto para a senadora, tirando seu principal atrativo, o de ser um atalho para os prefeitos em busca de recursos para os municípios.
 
Paralelamente, a flexibilização dos royalties para o pagamento de custeio também permite que o governador ganhe pontos com a prefeitada. O interior foi decisivo na eleição de 2014, Hartung sabe disso e quer cuidar para que seu capital se fortaleça fora da Grande Vitória.
 
Politicamente outro foco atacado é o do apoio político. A ideia é desmobilizar um bloco que se articula em torno do ex-governador Renato Casagrande (PSB), o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) e a senadora. O esvaziamento do PV é um dos sintomas do ataque palaciano, o governador vem atacando os pontos frágeis do grupo para tirar força de um possível palanque de oposição.
 
Com a imagem arranhada, o governador precisa disputar a eleição sem grades atropelos, para evitar desgastes como o de 2014, assegurando uma reeleição tranquila com o apoio de todos, como aconteceu em 2006, quando disputou com o dócil Sérgio Vidigal (PDT).  
 
Fragmentos:
 
1 – Os vereadores da Serra estarão no bairro Vista da Serra I, dentro do projeto Câmara nos Bairros. Será nesta  segunda-feira (10), às 18 horas,  no Ginásio da EMEF Professora Alba Lilia Castelo Miguel. A Ouvidoria da Casa vai disponibilizar uma urna, para os cidadãos relatarem queixas e solicitarem melhorias para o bairro.
 
2 – O prefeito de Guarapari, Edson Magalhães (PSD), é mais um da lista de gestores pendurados na Justiça Eleitoral, ainda por denúncias de irregularidades na disputa de 2016. Ele teria recebido recursos acima do teto estipulado pela legislação.
 
3 – O prefeito de Irupi, na região do Caparaó, Carlos Henrique Storck (PSDB), condenado à perda do mandato por crime eleitoral, entrou com recurso para se manter no cargo. Ele também tenta, sem sucesso até aqui, conseguir a suspeição da juíza de primeiro grau, Graziela Rezende.

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Comentários

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Precipitou-se

Com um olho em 2018 e outro em 2020, Luciano Rezende antecipou o processo eleitoral, mas esqueceu a Lava Jato. Aí mora o problema.

OPINIÃO
Renata Oliveira
Bicho-papão
O ajuste fiscal de Paulo Hartung precisa do exemplo do Rio de Janeiro tanto para cortar quanto para supervalorizar a liberação de recursos
JR Mignone
Qual rádio ouviria hoje?
Sinceramente, não saberia explicar que tipo de rádio eu ouviria hoje, isto é, que me motivaria a ligar o botão para ouvi-la: uma de notícia ou uma só de música selecionada
Caetano Roque
Pressão neles
O movimento sindical deve conscientizar o trabalhador sobre quem estará na disputa do próximo ano contra ele
Geraldo Hasse
A doença da intolerância
Ela está nos estádios, nos governos, nas igrejas, nos parlamentos, nas ruas, nos tribunais
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