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Sem plano B, PT pode se unir ao PDT e mexer no tabuleiro do Estado


13/07/2017 às 11:00

Com a decisão do juiz Sérgio Moro, condenando o ex-presidente Lula a nove anos e seis meses de prisão, além de suspender seus direitos políticos por 19 anos, o movimento do PT de disputa à Presidência em 2018 fica ameaçado. A decisão ainda é de primeiro grau, mas as possibilidades devem ser avaliadas dentro do partido. Hoje, as lideranças petistas afirmam que não há um plano B, caso a impossibilidade de Lula disputar seja confirmada, mas o cenário oferece uma alternativa palpável para o grupo.

A candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) é um caminho pragmático que pode ser encampado pelo PT para garantir seu espaço no tabuleiro político nacional. O cenário nacional deve influir nas disputas locais e, no Espírito Santo, afasta uma composição que parecia até há pouco tempo consolidada para o próximo ano entre o grupo do governador Paulo Hartung (PMDB) e o PDT capixaba.

O peemedebista vinha fazendo movimentos que indicavam a migração de alguns de seus secretários cotados para a disputa do próximo ano para o PDT, sobretudo após a saída do PT do governo, dentro de uma determinação da Nacional após deliberação no encontro estadual do partido, em maio passado. O PDT passou então a ocupar a lacuna do partido mais à esquerda dentro da composição de forças políticas palacianas.

Paralelamente, o governador intensificou seus próprios movimentos em direção ao PSDB. Após a visita de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados ao Estado – primeiro na linha de sucessão de Michel Temer –, o governador também intensificou suas movimentações com o DEM.

Isto significa que Hartung se aproxima do grupo que deve disputar a presidência contra o alinhamento de esquerda que o PT pretende construir para o próximo ano e do qual o PDT, de Ciro Gomes, sempre foi parceiro. Dentro desta costura, o grupo pode ter de erguer um palanque no Estado para dar sustentação à candidatura presidenciável. Isso tiraria o PDT do palanque de Hartung.

Em 2014, o PDT conseguiu costurar um acordo favorável no Estado com uma composição proporcional com o PT que rendeu três vagas na Câmara dos Deputados, ocupada pelo presidente do PDT no Estado, Sérgio Vidigal e os petistas Helder Salomão e Givaldo Vieira. Na disputa para a Assembleia Legislativa, o PT elegeu três deputados à época: Padre Honório, José Carlos Nunes e Rodrigo Coelho. O PDT reelegeu os deputados Josias Da Vitória e Euclério Sampaio.

Na majoritária, porém, o partido apoiou a eleição de Paulo Hartung, mesmo tendo o PT uma candidatura capitaneada pelo ex-deputado estadual Roberto Carlos, que fez uma disputa pouco competitiva ao governo. Este ano a situação é bem diferente. Um palanque no Estado para dar suporte a Ciro teria que entrar na disputa em um arranjo de partidos que teria de mostrar competitividade na disputa. Nomes para isso, os partidos teriam, como o dos deputados federais Sérgio Vidigal e Helder Salomão, a dificuldade seriam convencer o primeiro e dar as garantiras necessárias ao segundo.

Com o PT fora da presidência e o PSDB também enfraquecido tanto pela participação no governo Temer quanto por denúncias de corrupção como o PT, as forças políticas vão estar em uma disputa muito mais acirrada pela conquista de espaços, o que pode exigir uma verticalização para dar suporte aos palanques nacionais.

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Com um olho em 2018 e outro em 2020, Luciano Rezende antecipou o processo eleitoral, mas esqueceu a Lava Jato. Aí mora o problema.

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Renata Oliveira
Bicho-papão
O ajuste fiscal de Paulo Hartung precisa do exemplo do Rio de Janeiro tanto para cortar quanto para supervalorizar a liberação de recursos
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Qual rádio ouviria hoje?
Sinceramente, não saberia explicar que tipo de rádio eu ouviria hoje, isto é, que me motivaria a ligar o botão para ouvi-la: uma de notícia ou uma só de música selecionada
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O movimento sindical deve conscientizar o trabalhador sobre quem estará na disputa do próximo ano contra ele
Geraldo Hasse
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