Seculo

 

Um bom negócio


13/07/2017 às 12:07

Há quem aposte cegamente em um novo embate entre Paulo Hartung (PMDB) e Renato Casagrande (PSB) na disputa ao governo do Estado em 2018, o que não seria vantajoso para nenhum dos dois após as denúncias dos ex-executivos da Odebrecht. As duas lideranças se movimentam intensamente para tentar aumentar suas capilaridades. Hartung, com a máquina na mão, vem fazendo muitas entregas, e Renato Casagrande sequenciais encontros regionais com lideranças.

Casagrande tem uma vantagem em relação a Hartung no trato com o eleitorado. É mais acessível e, quando se movimenta com o povo, o faz de forma muito mais natural que o governador. Hartung tem dificuldade com isso, embora tenha melhorado, mas ainda parece forçado.

O governador, na verdade, não tinha mais pretensões estaduais, construía uma imagem nacional e decidiria no ano que vem qual o espaço seria mais conveniente, com uma primeira mira no Senado, como um parlamentar forte, de influência. Casagrande é vítima da planície, que desgasta qualquer capital político, e a projeção no cenário político é de que teria capilaridade para a Câmara.

O desgaste de Hartung, no início do ano, lhe deu fôlego, mas as denúncias da Lava Jato deixam o terreno movediço. Além disso, o governador entrou em campo para tentar esvaziar o eventual grupo de apoio a Casagrande e sozinho não se faz nada. Já Hartung, se conseguir limpar o campo e conseguir a reeleição, pode ter um fim político melancólico, afinal, é muito difícil fazer um quarto mandato bom, sofrerá com a fadiga de material.

Para Casagrande, porém, um acordo que lhe garantisse um palanque para o Senado pode ser uma saída interessante, sobretudo por causa do desgaste dos senadores do Estado após a votação favorável à Reforma Trabalhista. Todos se justificaram e mostraram suas melhores intenções, mas vai ser difícil convencer o eleitor disso no ano que vem. A maioria da população é contrária à Reforma e se os empregos não voltarem até lá, a situação dos parlamentares ficará muito difícil.

Isso abre um campo fértil para Casagrande, já que seu partido tem assumido posições contrárias às reformas. Diante das tantas incertezas para 2018, essa brecha pode ser um grande negócio para o socialista refazer o caminho que o levou ao governo do Estado.

Fragmentos:

1 – Nessa terça-feira (11), o vice-presidente da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), o prefeito de Cariacica Juninho (PPS), não esteve na votação da flexibilização da aplicação dos royalties de petróleo na Assembleia porque estava representando a entidade em Brasília. E de lá trouxe boas notícias para as prefeituras em geral.

2 – Entre os debates estava a mudança no recolhimento de ISS que, agora, passará a ser feito na cidade onde a compra ou serviço for realizado. Antes, todo imposto nas compras de cartão de crédito ia para o município sede da empresa. Também foi discutida a nova lei de regularização fundiária, que vai alcançar mais pessoas. “Sabemos que em nossa cidade mais de 70% dos imóveis carecem de regularização e, agora, isso será facilitado”, garantiu o prefeito.

3 – A classe política está às voltas com conversas sobre a possibilidade de o senador Magno Malta (PR) vir a disputar o governo do Estado. Em 2014 ele cogitou isso e conseguiu uma debandada de lideranças do PR. Depois ele tentou uma investida malfadada de construir uma candidatura à Presidência, negada pela nacional do partido.

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