Seculo

 

Pressão popular vence de novo e Prefeitura de Guarapari revoga embarque exclusivo


14/07/2017 às 17:04
Primeiro com o ex-prefeito Orly Gomes (PDT) e, depois, com o atual, Edson Magalhães (PSD), a Prefeitura de Guarapari errou duas vezes. E teve que voltar atrás em ambas. A pressão popular foi novamente fundamental para a derrubada do decreto que determina o embarque e desembarque exclusivo no Rodoshopping, a nova rodoviária municipal. A revogação da medida foi publicada no Diário Oficial dos Municípios dessa quinta-feira (13). O decreto foi publicado no dia 8 de junho.
“Foi importante para nós, usuários, e para a população de Guarapari. A medida nós dá mais tranquilidade e tira aquela sensação ‘de como será o amanhã?’”, pondera Iraci Marques, integrante do Movimento Urbano e moradora do município que trabalha em Vitória. “Foi uma vitória do trabalho e da luta da mobilização popular, com apoio da Justiça”, completa.
 
Os usuários de transporte intermunicipal não aceitaram a nova tentativa de colocar o funcionamento da cidade a serviço do Rodoshopping, administrada pela concessionária Telavive. A imposição de embarque exclusivo de Edson Magalhães significaria um desembolso de R$ 28 a mais por semana para trabalhadores, estudantes e demais usuários. 
 
A indignação dos usuários se manifestou no protesto do dia 16 de junho na ponte da cidade, no sentido Centro/Muquiçaba. Já as empresas de ônibus (Alvorada, Planeta e Sudeste) ignoraram a medida, entendendo que o município não pode interferir no funcionamento do sistema intermunicipal. A competência, aqui, é estadual. 
 
O ‘Caso Rodoshopping’ cumpriu com Edson Magalhães o mesmo roteiro verificado com Orly Gomes de mobilização popular ante uma medida arbitrária. Orly publicou decreto em 4 de agosto. Após muitos protestos, em sessão no dia 1° de setembro, o Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) concedeu decisão liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a medida promovida pela Federação das Empresas de Transportes do Estado (Fetransportes). 
 
Também como Orly, Edson errou ao mexer no funcionamento da cidade sem, antes, ouvir quem vive nela.  Não se altera a dinâmica do transporte público impunemente, sobretudo quando se sabe que o embarque exclusivo é mera imposição contratual e não resultado de estudos de planejamento. O caso deixa claro que há um desajuste entre o Rodoshopping e a cidade de Guarapari - e a culpa, como os dois malfadados decretos quiseram fazer crer, não é da cidade.
 
O roteiro de Edson Magalhães, no entanto, exibiu desfecho mais grotesco. O prefeito achou que poderia empurrar com sucesso a mesma medida impopular garganta abaixo dos usuários. Deu no que deu.
 
As pataquadas do Executivo municipal serviram para mobilizar os moradores e organizá-los em torno de uma entidade formal de luta por melhorias no transporte público. Neste sábado (15), a partir das 14h, no Radium Hotel, no Centro, será realizada a assembleia de fundação da Associação Movimento Urbano de Guarapari. O objetivo é defender os interesses dos usuários dos transportes municipal e intermunicipal nas esferas administrativa, legislativa e judiciária.

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