Seculo

 

Momento decisivo


16/07/2017 às 11:35
Tenho lá minhas dúvidas se Sergio Majeski (PSDB) tem consciência do seu tamanho político. O deputado precisa entender que neste campo que se descortina para 2018 ele é o que há de “novo” na política. Podem aparecer pelo caminho alguns bons candidatos, mas o “diferente” é Majeski. Ele conquistou essa condição construindo um mandato sólido na Assembleia, alicerçado na narrativa da educação, que domina com propriedade. 
 
O que ouço nas ruas é que as pessoas querem o “novo”, e o deputado do PSDB se encaixa nessa expectativa do eleitor. Por isso, Majeski não deveria abdicar dessa condição. Quando Majeski diz: “se o governador Paulo Hartung (PMDB) entrar no PSDB por uma porta eu saio por outra”, está fortalecendo PH. Acho que não cabe mais esse pensamento, porque cresce a cada dia o número de lideranças tucanas que defendem a permanência do deputado no partido. 
 
A propósito, essas lideranças, inclusive, trabalham no projeto de lançar Majeski ao governo do Estado. Hoje, os que resistem a Majeski no ninho tucano representam uma minoria. Essa manifestação dos que defendem a permanência de Majeski ficou mais evidente ante a nova investida de PH em migrar para o PSDB. Essas lideranças não querem PH batendo asas pro lado do ninho tucano.
 
Esse é um momento decisivo para Majeski. Porque a falta de nomes no campo para enfrentar PH vai acabar empurrando as lideranças para o Palácio Anchieta. Veja o caso do senador Ricardo Ferraço (PSDB), por exemplo. Se ele se convencer que não haverá um palanque alternativo, vai acabar, naturalmente, subindo no palanque do governador. E isso pode provocar um efeito cascata com outros lideranças. 
 
Mas às vezes parece que Majeski ainda não se deu conta da ameaça que representaria a entrada de Hartung no PSDB. Um tucano graduado comentou que o deputado age como um “cavalo novo”. Ele adverte: “Tem de ter cautela pra se aproximar dele, senão leva coice”. 
 
De outro lado, PH já identificou Majeski como ameaça faz tempo. Por isso ele insiste em entrar no PSDB para neutralizá-lo, como também faz de tudo para evitar que o tucano apareça na mídia. Se a imprensa capixaba desse o espaço proporcional à importância política que Majeski tem hoje, incomodaria muito mais o governador, que quer escondê-lo a todo custo do eleitor. 
 
PH sabe muito bem que esse apelo do “novo” - especialmente no atual momento em que o político tradicional está desacreditado - seria uma ameaça real aos seus planos. 
 
O campo ideal projetado por PH para 2018, é claro, não inclui Majeski, que seria o ponto fora da curva, o inusitado, o inesperado. Hartung, como é de seu estilo, quer entrar na disputa seguro do que vai acontecer, antecipando cada jogada, e Majeski subverte essa ordem. 
 
A senadora Rose de Freitas (PMDB), por exemplo, que vem se colocando como candidata ao governo, não aparece no radar de PH como uma ameaça em potencial. Obviamente o governador monitora os passos da senadora. Quando ela fez um movimento mais brusco para tentar tomar das mãos do Palácio Anchieta o controle da Amunes, o governo reagiu rapidamente, neutralizando o ataque. Hoje o então candidato de Rose à presidência da Amunes, o prefeito de Viana Gilson Daniel, já bandeou para PH. Como sinal de que presta fidelidade a um novo suserano, Gilson deixou o PV - partido fora do arco de alianças de PH - e migrou para o Podemos (ex-PTN). 
 
O ex-governador Renato Casagrande (PSB) é visto da mesma maneira pelo Palácio Anchieta. Requer apenas um monitoramento rigoroso, mas não representa grande ameaça. 
 
Todos esses palanques, casos sejam erguidos para a disputa, não oferecem segurança. Essa vulnerabilidade espanta as lideranças e as aproximam, quase por inércia, do palanque palaciano. Por isso, se Majeski abrir mão de entrar na briga, acaba ajudando PH a conquistar seu quarto mandato ao governo. 
 
Se isso acontecer, Majeski pode ter certeza de que a primeira ato de PH será destruí-lo politicamente, porque sabe que o “novo” representa perigo constante a um governador que usa uma embalagem reluzente para esconder um modelo anacrônico de se fazer política. 

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