Seculo

 

Movimentações de Audifax apontam ocupação de espaço político na Serra


17/07/2017 às 13:13
As articulações políticas do prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), que apontam para uma disputa entre os aliados Bruno Lamas (PSB) e o vereador Guto Lorenzoni (PP) – de saída para a Rede –, aproveitam a chance de tentar minar a competitividade do principal adversário político do prefeito no município, o deputado federal e ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT).
 
À frente da prefeitura, Audifax estuda as possibilidades entre os aliados para preparar seu sucessor na disputa de 2020, como apontou a coluna Praça Oito, de A Gazeta, desse domingo (16). Nos próximos anos, a ideia seria fortalecer este sucessor para evitar uma retomada da prefeitura pelo grupo de Vidigal, uma polarização que dura mais de duas décadas na cidade e que não fica circunscrita à disputa municipal.
 
Em 2010, Audifax foi o deputado federal mais bem votado na eleição daquele ano (161 mil votos). Em segundo lugar, veio a pedetista Sueli Vidigal (141 mil votos), mulher do então prefeito Sérgio Vidigal. O PDT elegeu ainda mais dois deputados: Carlos Manato e Jorge Silva.  
 
Ainda na disputa de 2014, um detalha chama atenção: a maior votação de Audifax foi em Vitória e não na Serra. Em 2014, Vidigal foi o mais bem votado e sua votação maior foi no município. Tanto que o pedetista era tido como o franco favorito na eleição de prefeito no ano passado, mas não suplantou Audifax na disputa no segundo turno.
 
Em 2020 Audifax não poderá disputar mais um mandato e terá que apresentar um nome como sucessor. Como a vice de Audifax é Márcia Lamas, mãe do deputado Bruno Lamas (ambos do PSB), acreditou-se que o prefeito poderia apoiar um dos dois para a disputa.
 
Mas o prefeito, que precisa fortalecer seu partido, procura um nome da Rede para a empreitada. Tentou trazer Bruno, mas como ele não respondeu de pronto, procurou Guto Lorenzoni, que aceitou. Marcia e Bruno tiveram o apoio de Audifax em 2016, mas a parceria é circunstancial. O próprio prefeito deixou o PSB para se filiar à Rede. Independentemente do partido, nem Guto, nem Bruno teriam o tamanho suficiente para disputar votos para federal no município. Precisariam antes ter suas imagens trabalhadas nos próximos anos para ganharem capilaridade.
 
No grupo de Vidigal, após a segunda derrota consecutiva contra Audifax na disputa à prefeitura, há quem acredite que o pedetista pode não encarar uma nova tentativa, apoiando também um aliado. Um nome que se fortalece neste contexto é o do secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, Vandinho Leite (PSDB), que disputou a vice na chapa de Vidigal no ano passado.
 
Um elemento importante nessa articulação para a sucessão na Serra é o processo eleitoral de 2018, em que essas lideranças poderão ser testadas na disputa à Câmara dos Deputados. Bruno Lamas e Vandinho Leite já têm um histórico de rusgas, oriundas da eleição de 2014.
 
Vandinho, que há época disputou a eleição pelo PSB, acusa Bruno de ter feito campanha casada com o deputado Paulo Foletto na eleição, o que teria esvaziado seus votos na Serra. A nova disputa pode colocar os dois em um novo embate direto, deixando Guto correr por fora sem ser incomodado.  Uma certeza dos meios políticos é de que, independentemente de quem venha capitanear os palanques eleitorais de 2020 na Serra, o nome deve ser de absoluta confiança das duas lideranças que polarizam o debate no município e cultivam muito bem seu capital no município.

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