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Polícia usa cavalaria para intimidar famílias e criminalizar sem terras em Nova Venécia


18/07/2017 às 12:04
Apenas uma semana após um traumático processo de reintegração de posse em Conceição da Barra, norte do Estado, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) optou por uma estratégia diferente e se retirou de duas fazendas ocupadas em Nova Venécia na véspera da data marcada pela Justiça para outra ação semelhante.

Assim, as cerca de 300 famílias que ocupavam os acampamentos Ondina Dias e Antônio Conselheiro, nas fazendas Neblina e Barão Genética, respectivamente, recolheram nesse segunda-feira (17) seus pertences e se transferiram para uma área próxima de dois alqueires, onde já funcionou atividade de beneficiamento de mármore e granito.

A nova estratégia não impediu totalmente a exposição das famílias à postura do Estado. Munida de um mandado de busca e apreensão de armas de fogo, emitido pela Comarca da cidade, a Polícia Militar foi ao novo local com sua Cavalaria. “Eles estão olhando barraco por barraco pra ver se encontram arma. Uma tentativa de criminalização do movimento”, relata Ednalva Moreira Gomes, da coordenação estadual do MST, presente na ação policial.

Jhony Alex, militante na região norte do Estado, conta que a intenção ao sair da área foi evitar a repetição de cenas violentas e desnecessárias, poupando principalmente as crianças e idosos de assistirem à destruição das lavouras e barracas.

No dia 11 de julho, no Acampamento Fidel Castro, em Braço do Rio, a Polícia usou trator para aniquilar mais de 50 hectares de produção de milho, feijão e vários outros itens de alimentação, e usou o fogo para queimar os barracos que abrigaram os camponeses desde dezembro de 2016. “Precisa ver que tristeza que foi”, relata Jhony. Mais de 200 famílias foram despejadas e se transferiram para um assentamento próximo.

Atuação política

Em Nova Venécia, durante o período em que funcionaram os acampamentos Ondina Dias e Antônio Conselheiro foram realizados diversos trabalhos de comunicação, mobilização e educação, como oficinas de arte; recepção de visitas de escolas da região; Seminário de Agroecologia; manifestação contra a Reforma da Previdência; apoio ao Dia Internacional das Mulheres em São Mateus; e apresentação de um projeto piloto para criação de um Banco Solidário.

Em um manifesto distribuído entre os militantes e apoiadores da Reforma Agrária Popular, o MST destaca que a concentração da terra e da renda são a causa da pobreza e da violência. E que o bloqueio à Reforma Agrária tem se dado, em nível nacional, por meio da aprovação da Medida Provisória 759, “que trata da privatização das terras brasileira” e “está sendo realizada na esfera política, jurídica, financeira, policial e midiática, em favorecimento ao avanço do agronegócio”.

E cita como “outras medidas que complementam esse cenário a estrangeirização das terras, mudanças na legislação do uso de agrotóxico, transgênico, mudança no código florestal e a criminalização dos movimentos sociais no campo”.

“A luta por Reforma Agrária se faz urgente e necessária para garantir dignidade para a classe trabalhadora do campo e da cidade”, afirma o manifesto, que também pede ajuda às famílias despejadas, por meio da doação de alimentos e lonas para montagem de novos barracos, além de assessoria jurídica. “Todas as contribuições são bem-vindas”, afirmam. 

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