Seculo

 

Não tem almoço nem jantar grátis


19/07/2017 às 14:32
Que não existe almoço grátis, todo mundo já sabe. Jantar, muito menos. O que o governador Paulo Hartung (PMDB) ofereceu aos deputados estaduais nessa segunda-fera (17), simbolicamente para fechar o semestre legislativo, saiu bem caro. E não estamos falando, é claro, das iguarias servidas. 
 
Os vinte parlamentares com assento assegurado no banquete palaciano não estavam ali por acaso. Na verdade, eles conquistaram o convite sendo fiéis ao governo. Isso, na prática, significou votar de olhos fechados nos projetos do governo e barrar as propostas dos colegas — mesmo as que aparentemente eram favoráveis à população — sempre que contrariavam os interesses do Palácio Anchieta. 
 
O jantar teve um caráter didático. Cada um dos dez deputados barrados entendeu o recado. Quatro deles — Theodorico Ferraço (DEM), Da Vitória e Euclério Sampaio (ambos do PDT) e Sergio Majeski (PSDB) — oposicionistas assumidos — não tinham nenhuma pretensão ou interesse de ter lugar à mesa. Os outros seis — Freitas e Brunos Lamas (ambos do PSB); Padre Honório e Nunes (ambos do PT); Almir Vieira (PRP); e Marcos Bruno (Rede) — foram intimidados pelo Palácio Anchieta: ou declaram fidelidade incondicional ao governo ou passarão a sofrer perseguição do governo. 
 
Se o governo tem um pacote de bondades para os fiéis, o de maldades para os infiéis é ainda mais completo. Vai da exoneração dos cargos indicados pelos “rebeldes” até a exclusão das verbas parlamentares. 
 
Aliás, depois das conversas finais, entre a sobremesa e o cafezinho, quando o governador achou que a conta já estava paga com a promessa de liberação das emendas parlamentares, os deputados ainda pediram o troco. Querem que o bolo das emendas seja dividido só entre eles, como reconhecimento da fidelidade. Exigem também que os cargos tomados dos infiéis sejam redistribuídos aos governistas de carteirinha. 
 
O escambo escancarado faz lembrar muito os últimos acontecimentos de Brasília, no processo de votação da denúncia contra Temer na Câmara. A moeda usada por Temer para “comprar” votos foi a mesma de Hartung: emendas e redistribuição de cargos “confiscados” dos infiéis. Qualquer semelhança, não é mera semelhança. 

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