Seculo

 

Propaganda não maquia crise na PM


20/07/2017 às 16:05
O movimento de familiares de militares que manteve a PM fora das ruas por 22 dias, oficialmente, foi encerrado no dia 25 de fevereiro último. A paralisação acabou, mas a crise na Segurança Pública, não. Após as Forças Nacionais e o Exército deixarem o Espírito Santo, o governo do Estado e o Comando-geral da PM se empenharam para mostrar à sociedade que a situação, aos poucos, estava voltando à normalidade.
 
Para dentro da corporação, a estratégia foi deixar claro para os policiais que o governo não toleraria “novos motins”. O Comando da PM passou a publicar listas com centenas de policiais que responderiam a processos disciplinares por supostamente instigar o movimento. 
 
As prisões de alguns soldados e oficiais deram o efeito midiático desejado para mostrar que os “motinados” teriam punição exemplar. Familiares de militares também foram conduzidos coercitivamente para prestar depoimentos, sufocando de vez qualquer foco de resistência que pudesse deflagrar um novo movimento.
 
Depois da fase de intimidação, a estratégia do governo passou a ser mostrar que a crise fora completamente superada. Como estratégia, o governo decidiu apelar à publicidade. Os marqueteiros do governo chegaram à conclusão que os melhores “garotos-propaganda” seriam os policiais. Afinal, o que transmitiria mais credibilidade do que os próprios PMs falando positivamente da instituição. Nada seria mais convincente. Não contavam, porém, que os policiais, consultados se concordavam em ceder os direitos de imagem para a produtora fazer uso na peça publicitária, se recusaram a fazê-lo. A pergunta do capitão foi categórica. Quem estivesse de acordo em ceder os direitos deveria permanecer em forma, os contrários estavam dispensados. O resultado foi constrangedor: um a um foi deixando a formação até não sobrar um único soldado para contar a história.
 
O embaraçoso episódio acendeu a luz vermelha no Comando da PM. Era um sinal de que a crise não foi superada. Longe disso. Para evitar novos constrangimentos, o governo mandou cancelar a cerimônia de promoção de 266 praças e oficiais, marcada para a manhã desta quinta-feira (20). O evento, que aconteceria no Palácio Anchieta, fazia parte da estratégia de Hartung de mostrar à sociedade que a relação entre governo e PM nunca esteve melhor. 
 
É muito provável que a mesma produtora contratada para gravar o frustrado vídeo com os “garotos-propaganda”, aproveitaria para registrar a cerimônia de promoção no Palácio Anchieta. Omitiriam, por certo, que a promoção dos 266 praças e oficiais é um direito e não um ato de benevolência do governo. Aliás, a promoção estava com quase um ano de atraso. 
 
O clima de tensão que segue dentro dos quartéis, materializado pela recusa das filmagens, serviu de alerta para o governo não passar vexame maior. O governador tem muito viva na sua cabeça a experiência relatada pelo vice César Colnago, que no final de 2015 recebeu uma vaia uníssona na ocasião da formatura de quase mil praças no Clube Álvares Cabral. Graças a um alerta de última hora, como o de ontem (19), os conselheiros do governador recomendaram que ele evitasse encarar os quase cinco mil familiares dos soldados que lotavam o ginásio. Na falta do destinatário, quem ouviu os apupos, “por procuração”, foi Colnago, que acabou assimilando mais uma de Hartung, que decidira enrolar os praças por cinco meses para economizar com salários.
 
Como muito bem disse o presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar (Assomes), tenente-coronel Rogério Fernandes, “medidas paliativas não retomarão o ânimo dos policiais militares, e os índices de violência e criminalidade demonstram isso todos os dias para a sociedade. O número de homicídios e crimes contra o patrimônio, especialmente furtos e roubos de veículos, não param de crescer. Por mais que o governo gaste milhões com publicidade e propaganda, o povo capixaba está atento ao que está acontecendo e o tratamento dado aos policiais militares e cobrara no momento certo. Ninguém vai se deixar enganar”.

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