Seculo

 

Prédio ocupado no Centro de Vitória era ponto de encontro da elite capixaba


28/07/2017 às 18:11
Na Ilha do Mel dos anos 40 e 50, um dos points do grand monde capixaba era o hotel abrigado no elegante edifício de três andares na Rua Gonçalves Ledo que hoje abriga a Ocupação Chico Prego, formada por famílias de baixa renda que lutam por moradia própria. O prédio está abandonado há anos. A sujeira e a escuridão dominam pisos e paredes das escadas, corredores e cômodos. A pompa virou memória. 
O Hotel Sagres começou a ser erigido em 1940 e pertencia a um casal de portugueses. Além do hotel, Francisco Teixeira da Cruz e Dona Maria - ou Chico do Sagres e Dona Maria do Sagres, como eram conhecidos - administravam também o restaurante homônimo, frequentado e apreciado pela elite local e por fazendeiros do interior que visitavam a capital. 
 
O restaurante era o grande diferencial em relação ao Tabajara, hotel também apreciado pelos abastados locais, localizado na Avenida Jerônimo Monteiro. O casal construiria também o Estoril, outro hotel localizado nas redondezas. Chico do Sagres legou o Sagres para um sobrinho: o ex-prefeito de Vitória Chrisógono Teixeira da Cruz, a quem o imóvel pertence até hoje.
 
A mudança do eixo socioeconômico para a região da Praia do Canto a partir dos anos 80 condenou o Centro a um esquecimento absoluto de quase duas décadas. Um dos símbolos do revigoramento da região é justamente iniciativas públicas que destinaram dois prédios esquecidos para programas de moradia popular: os antigos hotéis Tabajara e Estoril. 
 
Lançado em 2003 pela gestão João Coser (PT), o programa Morar no Centro projetava a destinação de prédios abandonados na região para a habitação social. Além do Tabajara e do Estoril, o projeto também consolidou a destinação do Hotel Pouso Real. O Sagres, o Hotel Cannes e a parte superior do antigo Cine Santa Cecília também integravam a lista de futuras moradias populares.
 
Não é à toa que a Ocupação Chico Prego ocupou o Sagres. E não é à toa também que nesta sexta-feira (28) as famílias ocuparam o Santa Cecília, imóvel de propriedade da Prefeitura de Vitória abandonado também há cerca de uma década.

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