Seculo

 

Cadê o sindicato?


01/08/2017 às 10:34
Os informativos dos sindicatos foram durante muitos anos uma fonte de informação e formação para a classe trabalhadora. O material ia além, circulava entre familiares, vizinhos, amigos. Além das informações sobre as negociações das categorias, trazia um importante conteúdo de consciência de classe. 
 
Esse informativo mudou ou sumiu. Os que ainda existem, se limitam a retratar as excursões promovidas pelas entidades, as festas de fim de ano, os sorteios de prêmios entre associados, as felicitações de aniversário. Em períodos de negociação de data base, uma ou outra matéria falando das conversas com os patrões ou sobre as batalhas judiciais por reajustes. 
 
O que se tinha de material sobre a formação política desapareceu. Muitas vezes é o próprio patrão quem patrocina ou entrega o informativo, já que ele se tornou inofensivo. Muitos acabaram, não se vê mais nas portas das fábricas, nos ônibus, pela rua. Não existe mais panfletagem dos sindicatos com seus materiais, não existe mais trabalho de base, de conscientização do trabalhador. 
 
O fim dessa comunicação é fundamental para a desidratação do movimento sindical e segue a linha das próprias direções dos sindicatos, que desapareceram das ruas. Nas últimas colunas, falávamos da ausência das diretorias dos sindicatos, que poderiam colocar, só entre os cutistas, mais de dois mil sindicalistas nas ruas. Sem o exemplo da diretoria, como pode o movimento sindical querer que o trabalhador faça esse papel de mobilização?
 
Alguns dirigentes defendem que o informativo hoje deve circular apenas na internet. É um erro. O trabalhador quer a panfletagem na porta da fábrica, como tem que ser. Muitos trabalhadores se queixam dessa ausência. Mas os sindicatos hoje se preocupam mais em ser associações recreativas do que instituições representativas de luta de classe. E mais tem de ser participativa. Hoje já fazem acordo até sem passar pela categoria. Nem abertura de campanha salarial tem
 
Os trabalhadores querem seus representantes mais próximos, buscando a mobilização in loco. A construção da consciência política do trabalhador deve ser um trabalho diário e presencial. Tanto se ausentaram das ruas que deu no que deu. 
 
Mais luta, menos omissão!

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