Seculo

 

PH encurralado


06/08/2017 às 12:07
É visível que Paulo Hartung (PMDB) e Renato Casagrande intensificaram nas últimas semanas seus movimentos políticos. Ambos tentam se fortalecer pelo interior, deixando a Grande Vitória para um segundo momento.
 
Nessa estratégia de fortalecimento do interior para a região metropolitana, PH e Casagrande buscam a articulação de lideranças que possam conduzi-los para este eleitorado. O deputado estadual Amaro Neto (SD), que pode se lançar na corrida ao Senado, é o alvo cobiçado pelo atual e pelo ex-governador.
 
Mas por que PH e Casagrande estão flertando com Amaro? Porque a eleição pode ser favorável a lideranças com o perfil do apresentador de TV. Ele se aproveita da imagem negativa dos políticos tradicionais, que estão maculados por essa avalanche de denúncias de corrupção trazidas pela Lava Jato. Uma liderança com o perfil de Amaro, que é o chamado “apolítico”, pode decidir a eleição.
 
Amaro foi o deputado mais votado na eleição de 2014. Por muito pouco não venceu Luciano Rezende (PPS) na disputa à prefeitura de Vitória no ano passado, mostrando que tem um ativo eleitoral invejável. As pesquisas têm mostrado que Amaro tem favoritismo na disputa ao Senado. De outro lado, as pesquisas que avaliam pontos qualitativos do candidato, apontam que como parlamentar ele é péssimo. Reflexo do mandato apagado que faz na Assembleia. A pesquisa também aponta que Amaro é visto como um “ator de TV”, o que parece ser garantia de muitos votos. 
 
Críticas à parte ao perfil político do apresentador de TV, Amaro é uma realidade na disputa. Ele ainda estuda se vai buscar o Senado ou mesmo a Câmara, mas o que ele quer mesmo é abrir caminho para disputar novamente a prefeitura de Vitória em 2020. 
 
Se na disputa ao Senado Amaro pode surgir como ponto fora da curva, o cenário na corrida ao governo é completamente diferente. Por enquanto, estão se apresentando para disputa candidatos com perfil mais tradicional. Repito, se não aparecer um candidato “limpinho” na disputa ao governo, e volto a falar do deputado estadual Sergio Majeski (PSDB), o eleitorado será “obrigado” a fazer suas escolhas com quem estiver na disputa. 
 
Quem se anima com esse cenário mais tradicional é a senadora Rose de Freitas (PMDB), que não esconde sua pretensão de entrar na corrida ao Palácio Anchieta. A propósito, Rose também tem intensificado sua movimentação pelo interior, onde sempre reinou com autoridade. Ela ainda tem a vantagem de ter tido um bom retrospecto entre os eleitores da Grande Vitória na disputa ao Senado, em 2014.
 
Rose também vem se movimentando a partir de lideranças  que estão em crescimento. Caso do deputado estadual Josias da Vitória (PDT), que pode ter uma eleição tranquila na disputa por um cadeira na Câmara dos Deputados. Os observadores têm falado que Da Vitória passou a se fortalecer especialmente depois do momento em que decidiu fazer oposição ao governador Paulo Hartung.
 
As pretensões da senadora dependem da decisão de PH em ficar ou deixar o PMDB. Se decidir ficar, complica os planos de Rose, já que PH teria a prerrogativa de disputar a reeleição. 
 
O desejo de PH, desde o começo deste ano, era migrar para o PSDB, mas a porta continua fechado para o governador. Barrado pelos tucanos, ele chegou a fazer, mais recentemente, uma aproximação com o DEM. Aproveitou-se da tensão aberta entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o presidente da Câmara Rodrigo Maia para se aproximar do DEM. PH passou recados pela imprensa, que poderia estar costurando com Maia sua migração para o partido. 
 
A suposta ida para o DEM, que ainda não está descartada, vai na contramão de tudo que PH, ao menos em tese, defendeu até hoje. Para ele que sempre gosta de repetir que construiu suas bases políticas no movimento estudantil, como membro do Partidão, seria incoerente migrar para um partido como o DEM, declaradamente de centro-direita.
 
Nessa corrida ao governo entre Casagrande e Rose - se considerarmos os que se movimentam neste momento em direção ao Palácio Anchieta - PH é o mais pressionado. O governador vai ficando sem escolha: ou tenta a reeleição ou pendura as chuteiras, porque a disputa ao Senado, seu plano “A”, parece cada vez mais distante. 
 
Já Casagrande parece meio perdido. Ele tem se movimentado, mas evita falar como candidato ao governo. É como se ele soubesse que não pode ficar parado, mas ainda não sabe para onde ir. Como se esperasse um sinal para correr atrás desse caminho. Acho que ele está mais inclinado a disputar o Senado. Mas ainda está à espera desse sinal. 
 
PH e Casagrande demonstram fragilidade para enfrentar Rose. A verdade é que não aguentam nem com a Rose. Será que PH, reconhecendo suas fragilidades e limitações, vai permanecer no PMDB para evitar que a senadora se lance candidata ao governo? 

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