Seculo

 

Vitória subjetiva


07/08/2017 às 13:22
Os aliados mais próximos de Paulo Hartung (PMDB) já vem comemorando a possibilidade de o governador não ser investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), após a Procuradoria Geral de Justiça (PGR) sugerir o arquivamento da denúncia. É uma vitória e tanto no campo jurídico. Mas a dúvida nos meios políticos é se, depois da repercussão que o caso ganhou na imprensa nacional, a imagem do governador vai sair ilesa.
 
É difícil identificar uma liderança política que passe por uma denúncia de envolvimento com qualquer coisa que leve o selo Lava Jato e saia sem marcas. O próprio senador Aécio Neves (PSDB) conseguiu salvar seu mandato – até aqui – mesmo com sérias acusações e indícios, mas as marcas na imagem política dificilmente serão apagadas até a eleição. 
 
Caso Hartung se livre mesmo da investigação, tem uma vantagem em relação a outras lideranças que podem estar em outro bloco e que foram citadas nas delações de ex-executivos da Odebrecht, tanto de aliados de Hartung como de opositores, como o próprio ex-governador Renato Casagrande (PSB). 
 
Até aqui o governador não podia tocar no assunto, sem o processo poderia apontar o dedo para os outros. Poderia mesmo? Continua sendo inconveniente. O que se percebe, até em nível nacional, é que uma vez citado, é irrelevante se a liderança política prove inocência ou não, a mácula na imagem fica colada na cabeça do eleitor. 
 
É verdade que depois do caso Aécio e Temer e as tentativas de arquivar o casos investigados pela Lava Jato, depois de ter, aparentemente cumprido seu papel, que seria o de incriminar o ex-presidente Lula — tirando-o do páreo em 2018, ou pelo menos abrindo brechas para isso —, não há mais tanta confiabilidade na investigação ou na Justiça. 
 
Tudo isso só será possível de ser medido depois que o governador testar sua popularidade na Grande Vitória, onde está a maioria do eleitorado e onde ele tem evitado transitar, fazendo apenas entregas de viaturas policiais, sem ter muito contato com o eleitor. Aliás, não só ele, todas as lideranças com interesse no Palácio Anchieta em 2018.
 
Fragmentos:
 
1 –  O casal Ferraço está circulando muito pelo interior. A agenda de reuniões da deputada federal Norma Ayub e do deputado estadual Theodorico Ferraço (ambos do DEM) foi cheia na última sexta-feira (4). Os parlamentares se reunião com diversas autoridades, ouviram as reivindicações e se comprometeram em trabalhar para atender as demandas em prol de cinco municípios do sul do Estado: Vargem Alta, Castelo, Conceição do Castelo, Guaçuí e Cachoeiro de Itapemirim.
 
2 – Já Ricardo Ferraço (PSDB) começa a compartilhar suas ações no Senado para "para a melhoria da vida das pessoas no nosso ES", diz o parlamentar no Twitter. São vídeos em que o senador mostra atração de investimentos para o Estado. 
 
3 – Se na Assembleia a atuação do líder do governo, deputado Rodrigo Coelho (PDT), é discreta, em entrevista ao jornal Atenas Notícias, o parlamentar faz uma defesa inflamada do governador Paulo Hartung (PMDB). Chega a dizer que este é o governo mais “transformador” do peemedebista.

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