Seculo

 

Conciliação, não


08/08/2017 às 11:11
Durante muito tempo estamos assistindo à falta de interesse dos dirigentes sindicais em enfrentar o patronato, buscando resolver as questões salariais  na base da conversa. Mas a conciliação de classe tem seus defeitos. O movimento sindical desconheceu o resultado de um confronto. Quando um dos lados perde pouco é um empate, mas na maioria dos casos quem perde mais é o trabalhador mesmo. 
 
Os dirigentes sindicais pautaram as conversas pela conciliação de classe e aí houve um empate, mas quem perdeu foi o trabalhador, e perdeu muito. Agora, os empresários resolveram suspender o imposto sindical e os trabalhadores estão indo no bolo.
 
Mas isso pode ser bom para o trabalhador no final das contas. O fim do imposto sindical foi festejado pela direita como se fosse um golpe no movimento, mas na verdade essa sempre foi uma bandeira de parte do movimento, que entende que ele é o responsável pela acomodação na luta. A CUT foi fundada com o projeto de colocar um fim no imposto. 
 
Ainda que por vias tortas, em meio a uma reforma trabalhista totalmente golpista, financiada pelo Capital, o fim do imposto sindical é uma luz em toda essa escuridão que se tornou a reforma para o trabalhador brasileiro. Sem o imposto, vai ser possível separar o joio do trigo, ou seja, quem realmente está engajado na causa do trabalhador e quem está no movimento apenas para defender seus próprios interesses. 
 
Sem o imposto, os dirigentes vão ter de deixar seus escritórios, vão ter de voltar ao chão da fábrica, vão ter de buscar a formação política da classe trabalhadora, ressuscitar os informativos das categorias e, principalmente, terão que lutar muito mais para manter as garantias dos trabalhadores, e talvez, a democracia interna dos sindicatos, volte a funcionar.
 
Isso fará com que os dirigentes passem a administrar as entidades com mais responsabilidade e sem o patrocínio do Capital. Talvez, em meio à tanta escuridão, o trabalhador consiga enxergar, com o fim do imposto, uma luz no fim do túnel. 
 
Mudança, já!

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