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Abrindo caminho para 2018, perfil da equipe de Hartung vai se tornando mais político


09/08/2017 às 13:14
Quando retornou ao governo em 2015, o governador Paulo Hartung (PMDB) montou um secretariado com perfil mais político. O peemedebista, que sempre defendeu uma equipe mais técnica para garantir a profissionalização do serviço público, voltou ao poder tentando acomodar aliados ao seu lado no Executivo. 
 
A crítica à época era de que Hartung colocou aliados políticos para sustentar a política de austeridade, com foco nos cortes para garantir uma recomposição do cofre, que sustentou o discurso de excelência na gestão. Neste sentido nomes que tinham um verniz técnico, mas com proximidade política com o governador, foram acomodados no sentido de implantar a política econômica de Hartung, como Haroldo Rocha, encarregado de implantar o projeto de vitrine “Escola Viva”, no âmbito da Secretaria de Educação. 
 
Além dele, Ricardo de Oliveira chegou na Saúde garantindo o atendimento das demandas dos filantrópicos e a aceleração da entrada das Organizações Sociais na gestão dos hospitais públicos. Assim o governo conseguiu implantar uma política de cortes e fortalecer o discurso do cofre vazio.
 
Hoje o perfil político da equipe de Hartung aumenta, mas o motivo agora é outro. Com a proximidade do processo eleitoral, a ideia não é só acomodar os aliados, mas garantir a ocupação estratégica dos espaços criando condições de construção de um palanque forte para o governador. 
 
Aqueceu esse debate o retorno de Roberto Carneiro à equipe de Hartung, substituído Max da Mata (PDT) na Secretaria de Esportes. Carneiro não chega como quota do PDT, mas como um importante articulador de um grupo forte com o qual o governador Paulo Hartung quer manter um diálogo mais estreito. 
 
A indicação de Carneiro atende também ao interesse de aproximação com o deputado estadual Amaro Neto, que segue solto de grupos, mas que mantém diálogo com o novo secretário. De olho na popularidade de Amaro Neto, o governado garante uma peça que pode atender os interesses do deputado, o que Max Da Mata não estava mais garantindo na Sesport.
 
Além de Carneiro, o governo tem ao seu lado o comandante do PSD no Estado, José Carlos da Fonseca Júnior; e uma das lideranças do DEM estadual, Rodney Miranda, respectivamente na Casa Civil e na Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Lideranças de dois partidos que podem abrigar o governador caso ele tenha mesmo que deixar o desgastado PMDB de Michel Temer. 
 
Embora a relação com o PSDB não seja mais como antes, a presença de Vandinho Leite no governo (Ciências e Tecnologia), aliado do senador Ricardo Ferraço, também é um trunfo forte para Hartung. Há ainda aliados do governador em várias autarquias e órgãos do Estado, fortalecendo seu projeto político em toda a estrutura do governo. 
 
Mas nem todos os aliados estão felizes com o governador. O PT cumpriu a resolução do partido, ainda que a contragosto do presidente da legenda, João Coser, e deixou o governo. O PDT ainda não se sentiu contemplado com espaços diante do apoio fundamental ao governador na eleição de 2014. 
 
O perfil político também fortalece a ideia de que Hartung, diferentemente do que pregou no início do mandato – quando afirmou que deixaria o Palácio Anchieta para apoiar a candidatura do vice, Cesar Colnago (PSDB) –, vai disputar a reeleição para o cargo. Havia um projeto nacional que naufragou a partir da crise da Polícia Militar, no início do ano, que manchou a imagem do governador no cenário nacional. 
 
Hartung também teria articulado a possibilidade de uma disputa ao Senado, mas o ambiente não é próprio para essa disputa. Neste sentido, estaria tentando limpar o campo político para garantir uma disputa esvaziada ao governo do Estado para um quarto mandato.

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