Seculo

 

Prefeito interino desiste de candidatura na eleição extemporânea em Fundão


11/08/2017 às 17:08
O cenário político em Fundão se complicou. As mudanças desta semana reduziram para dois palanques a eleição extemporânea pela prefeitura do município. Depois da desistência do empresário Adriano Grazziotti (Pros) foi a vez do prefeito interino Eleazar Ferreira (PCdoB) sair da disputa. Com a desistência de Elazar, seguem na disputa João Manoel (DEM) e Joílson Nunes, o Pretinho (PDT).
 
Nos meios políticos, a desistência do prefeito estaria ligada a uma pressão forte de grupos interessados no contrato de coleta de lixo no município. No início do ano foi encaminhada à prefeitura uma denúncia de irregularidades nos contratos do serviço de coleta e gerenciamento de lixo no município. A prefeitura determinou uma sindicância que teria revelado vários problemas no serviço, oferecido pela empresa Fortaleza Ambiental e Gerenciamento de Resíduos Ltda – EPP.
 
A partir daí uma série de pressões de todos os lados vieram para cima do prefeito, seja por parte do grupo que defende a manutenção do contrato com a empresa, seja pelo grupo que quer a interrupção imediata do contrato e a realização de licitação emergencial para que uma nova empresa assuma os serviços de coleta e gerenciamento dos resíduos na cidade. 
 
A reportagem tentou ouvir Eleazar para entender os motivos que o levaram a sair da disputa e a polêmica envolvendo a auditoria no contrato do lixo, mas ele não retornou a ligação. 
 
Nas redes sociais, porém, o prefeito se manifestou sobre a auditoria. Isto porque foi divulgado no município que ele havia sido incluído no rol de denunciados, o que, afirmou Eleazar, não é possível, afinal, a auditoria compreendeu a gestão de 2013 a 2016. Como o prefeito interino assumiu a cidade em janeiro deste ano, não havia como ser responsabilizado pelas supostas irregularidades. 
 
“Esclareço que quem solicitou a devida auditoria foi a Prefeitura Municipal de Fundão, referente aos serviços prestados anos de 2013 a 2016; logo seria impossível a inclusão de meu nome no rol de responsáveis apontados neste relatório de auditoria. Esclareço também que o relatório está em caráter preliminar, cabendo ainda todo o contraditório e ampla defesa dos envolvidos, e sequer foi remetido ao meu gabinete para apreciação e conhecimento”, disse o prefeito interino em sua página no Facebook no último dia 20 de julho.
 
Para algumas lideranças locais, o comunista acabou incomodando grupos poderosos da cidade ao revirar a papelada na administração, o que o colocou em meio ao fogo cruzado. 
 
Polarização 
 
A saída de Eleazar Ferreira da disputa extemporânea em Fundão deixa o pleito do próximo dia 1 de outubro polarizado entre o palanque de Pretinho e João Maonel. Eleazar deixa a disputa, mas deve apoiar João Manoel na nova eleição. 
 
O candidato Pretinho disputou a vice na chapa de Anderson Pedroni (PSD) na eleição de 2016. Como Pedroni teve a candidatura impugnada, o município passará por nova eleição e ele não poderá disputar. Vai tentar transferir seus votos para Pretinho, que vai compor chapa com a candidata a vice Alexsandra Pedroni (PSD), esposa de Anderson. 
 
João Manoel (DEM) parte para sua quarta disputa para prefeito do município. Ele terá ao seu lado no palanque o vereador Elielton Rocha (PMN). O grupo é considerado forte e pode rivalizar bem a disputa com os aliados de Pedroni. 
 
Uma situação que pode ajudar o palanque do demista é fato de parte do eleitorado de Pedroni estar decepcionado com as promessas do então candidato que ganhou, mas não levou. Pedroni passou todo o período da eleição do ano passado, dizendo que seu problema na Justiça seria facilmente contornado e ele tomaria posse como prefeito, o que não aconteceu. 
 
Outro questionamento é o sobre a escolha de Pedroni sobre o palanque a apoiar. Pedroni teve muita influência na escolha de Eliazar para a presidência da Câmara de Fundão, o que o tornou, automaticamente, prefeito interino. Mas ao demonstrar interesse na nova disputa, pregando a continuidade do trabalho desenvolvido até aqui, perdeu o apoio do padrinho político.

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