Seculo

 

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13/08/2017 às 13:04
Sou daqueles que não acreditam que os deputados estaduais tenham capacidade de exercer pressão sobre o governador Paulo Hartung (PMDB) para decidir quem sai ou entra na equipe de governo. A mudança na Secretaria de Esportes - saiu Max Da Mata, entrou Roberto Carneiro - passou somente pelas mãos do deputado Amaro Neto (SDD). A pasta faz parte da cota de Amaro no governo. 
 
O prestígio do deputado, porém, não é gratuito. PH precisa da popularidade de Amaro para funcionar como âncora de votos, sobretudo nos municípios da Grande Vitória, onde o governador sofreu derrotas (e algumas vitórias apertadíssimas) na disputa de 2014 contra Renato Casagrande (PSB). 
 
PH aposta suas fichas em Amaro para que ele seja candidato ao Senado. Aliás, Casagrande também estava de olho no deputado do Solidariedade, mas chegou atrasado. O estigma de palhaço que o grupo do prefeito Luciano Rezende (PPS) tentou colar à imagem de Amaro na disputa à prefeitura de Vitória já ficou para trás. A disputa voto a voto com o apresentador de TV no eleitorado mais conservador e exigente do Estado fez Luciano e outras lideranças esquecerem do palhaço. Passaram a encarar Amaro como um concorrente em potencial nas eleições de 2018.
 
Desvio um pouco os olhos das eleições do ano que vem para a disputa de 2022. Corre nos bastidores que PH estaria preparando o presidente da Assembleia Erick Musso (PMDB) para ser seu vice na disputa à reeleição. Acho improvável. Essa conversa tem sido espalhada pelos deputados estaduais, mas PH não pensa assim. Erick não dá a confiança que Hartung precisa para o seu projeto político futuro. 
 
Ele quer ao seu lado um vice com mais peso, que possa pavimentar seu caminho ao Senado em 2022 sem solavancos. Se o projeto do Senado era o plano A para 2018, e as circunstâncias acabaram empurrando PH para o caminho da reeleição, em 2022, caso se reeleja, o Senado passa a ser sua única saída. Ele sabe que Erick Musso não lhe garantirá essa condição de uma disputa segura ao Senado em 2022, quando só uma vaga estará em jogo.
 
Na avaliação das companhias que mais convêm, PH vinha estudando outros nomes para compor uma eventual chapa à reeleição. As alternativas vinham do seu próprio secretariado. Estavam sendo cogitados Octaciano Neto (Agricultura), Eugênio Ricas (Controle e Transparência) e Júlio Pompeu (Direitos Humanos). Havia a expectativa que, dependendo dos desdobramentos da Lava Jato, PH poderia usar um deles como seu vice ou até mesmo como candidato palaciano ao governo. Mas o arquivamento da investigação contra PH no início desta semana pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) mudou tudo.  
 
O secretário-delegado federal Eugênio Ricas poderia ser usado a favor de PH como reserva de moralidade, caso ainda estivesse sob investigação da Lava Jato. Não precisa mais. Pompeu, que foi tratado como revelação da equipe nas tratativas com o movimento de familiares de militares que parou a PM em fevereiro deste ano, também sumiu de cena. A PM voltou às ruas, mas a crise na instituição segue viva - um bomba relógio pronta para explodir a qualquer momento. Não é estratégico para o Palácio Anchieta dar espaço para Pompeu neste clima de tensão estabelecido entre  tropa e governo. Mas PH se convenceu que Pompeu mostrou coragem para entrar em bolas divididas. 
 
Dessa trinca, Octaciano Neto é o único que ainda pode ser útil dentro do projeto de sucessão, já que dispõe de boa capilaridade, sobretudo no interior do Estado, muito em razão da força estratégica da Secretaria de Agricultura. 
 
Mas a tendência é que o governador volte suas atenções para seu vice. Nenhum deles tem a capacidade política de César Colnago (PSDB). O tucano não tem voto, mas é uma liderança que sempre encontra os atalhos para se manter no cenário político. Quando PH compara Colnago à sua trinca de secretários, sabe que o vice pode lhe dar a segurança desejada para o seu projeto eleitoral em 2022. Isso significaria uma reedição da chapa de 2014.
 
Nesse quadro que se desenha para o Espírito Santo prevalece a tendência a uma disputa tradicional. Além de PH, quem se movimenta em direção ao Palácio Anchieta é a senadora Rose de Freitas (PMDB) - mais tradicional, impossível.
 
As lideranças com perfil mais tradicional vão ocupando o campo porque o novo, contrariando a expectativa do eleitorado, ainda não deu as caras. O deputado estadual Sergio Majeski (PSDB) ainda não se rendeu aos apelos do eleitorado e segue omisso sobre a disputa ao governo.
 
Sem Majeski na disputa, esse cenário de lideranças com perfil mais tradicional favorece a reeleição de PH.

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