Seculo

 

Abayomi vai às ruas


24/08/2017 às 18:37
Membros da comunidade escolar foram às ruas nesta quinta-feira (24) protestar ao ato de racismo ocorrido no Centro Municipal de Educação Infantil Cida Barreto. A manifestação, que reuniu cerca de uma centena de pessoas, entre pais, professores e representantes de movimentos sociais, foi um ato em protesto à intolerância do pastor João Brito, da Igreja Evangélica Batista de Vitória. 
 
Há cerca de duas semanas, o religioso mandou retirar da parede da Cmei, que funciona num anexo da igreja, um cartaz feito pelos alunos que exibia uma boneca Abayomi. A atividade pedagógica do Cmei foi proposta com o intuito de trabalhar a diversidade e as questões étnico-raciais com as crianças. 
 
As bonecas eram confeccionadas pelas escravas nos porões dos navios negreiros com trapos de suas próprias vestes para entreter as crianças nas longas viagens da África para a América. Para o pastor, porém, a boneca Abayomi é um símbolo do mal. “É uma boneca que representa orixá, amuleto, comparado aos vodus haitianos”, disse Brito ao site BuzzFeed Brasil, após a polêmica vir à tona.
 
Os argumentos confirmam o posicionamento racista do pastor no episódio, que desrespeitou o princípio da laicidade na educação pública. 
 
A manifestação desta quinta-feira pressiona a Prefeitura de Vitória a descer do muro e tomar uma posição firme sobre a polêmica. Afinal, foi a administração municipal que decidiu pelo arranjo mal-ajambrado de alugar o espaço da Igreja Evangélica Batista para abrigar o Cmei. O contrato de locação de cerca de R$ 40 mil mensais de certo não confere ao pastor plenos poderes para arbitrar o que considera ofensivo ou não aos dogmas da sua religião. 
 
A Prefeitura de Vitória precisa deixar a politicagem de lado e tratar o episódio da Cmei Cida Barreto pelo viés da educação. O compromisso político com vereadores ligados a correntes religiosas na Câmara de Vitória não pode prevalecer sobre as diretrizes curriculares que devem garantir o respeito à diversidade e às questões étnico-raciais. 
 
Como bem assinalou Daniel Barboza, do Conselho Municipal do Negro (Conegro) no ato público, a Abayomi está permitindo conversar sobre esse tema com as crianças e também com a sociedade. “Bendita boneca”, disse Barboza.

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