Seculo

 

Não tão fácil


02/09/2017 às 18:58
Nas movimentações para o processo eleitoral de 2018, muito se fala na candidatura da senadora Rose de Freitas (PMDB) como um sparring escolhido pelo governador Paulo Hartung (PMDB) para uma disputa em que ele já entraria com a certeza da vitória. Mais ou menos como aconteceu em 2006, Naquela disputa, Hartung teve como adversário Sérgio Vidigal.
 
Naquele ano, houve uma briga dentro do PDT, porque Max Filho queria ser o candidato pelo partido e tinha condições de erguer um palanque de oposição ao governador, mas no final das contas, Vidigal foi quem disputou sem oferecer resistência à candidatura de Hartung, que se reelegeu sem problemas.
 
Mas a história de 2018 pode ser diferente. Rose tem todas as condições de erguer um palanque de oposição forte contra Hartung. Ela conversa com o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e se coloca na condição de candidata ao governo. Além disso, Rose é a única liderança política no Estado que está no jogo eleitoral do próximo ano, que não tem absolutamente nada a perder disputando a eleição, afinal, tem mais quatro anos de Senado pela frente.
 
O histórico da relação entre Rose e Hartung mostra que ela não tem razão alguma para facilitar a vida do governador. Durante a primeira passagem de Hartung pelo Palácio Anchieta, Rose viveu tempos difíceis. Alvo de perseguição política de Hartung, ela não se dobrou e mesmo sofrendo toda essa pressão se reelegeu em 2006 e em 2010 para a Câmara dos Deputados. 
 
Em 2014, mesma na adversidade, ela estabeleu uma meta mais desafiadora: conquistar uma cadeira no Senado. Apesar da foto sorridente na convenção do PMDB ao lado de Rose, Hartung fez campanha clandestina para João Coser (PT). Bom, até aqui, Rose ganhou todas. É uma sobrevivente ao cerco palaciano, o que pode torná-la uma candidata perigosa ao governo. 
 
É claro que não basta sua determinação de disputar o governo. Ela precisa de apoio e é aí que está o nó da questão. Afinal, o governador tem conseguido reaglutinar seu arranjo político, o que tira os partidos do outro lado. Além disso, o governador tem disputado espaço com a senadora no interior, onde ela construiu sua força política.
 
Esse é um movimento complicado. Afinal, Rose pode cobrar dos prefeitos o apoio que sempre lhes deu, enquanto Paulo Hartung vem soltando a verba agora para construir condições eleitorais. A dúvida é se Rose vai conseguir manter sua proposta até o fim. Se Hartung sair do PMDB fica mais fácil para ela, mas se ele permanecer, a batalha pode acontecer dentro do partido. 

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