Seculo

 

Cruz e Souza foi considerado pela crítica 'um imitador de Verlaine'


04/09/2017 às 17:35
Temos em certa perspectiva que o Simbolismo pode ser configurado como um grande grupo de poetas nefelibatas, ou ainda como estetas e místicos, tais como verdadeiros decadentistas que atuam na personificação de uma ideia no desenho de uma paisagem ou numa narração que pode acusar um tipo de poesia distante da arte do dia num individualismo que, no entanto, ainda tenta se fundar em certas aspirações sociais.
 
Tal Simbolismo que vem como um tipo de corrente literária e artística que pode bem ser interpretada como uma reação contra o Realismo e o Parnasianismo, numa nova arte poética de um individualismo que se manifesta por isso com uma maior liberdade do artista na sua expressão carregada esta de idealismo num esforço de progresso da espécie humana.  
 
No entanto, temos que levantar as afetações de um movimento que se firma no final do século 19 como também alinhada de aberrações estéticas de fundos espirituais e que carregam também em si a prática medíocre que está na parte externa e artificial do texto do ato de escrita, como um tipo de febre gongórica dos séculos 16 e 17 que estimam o abuso de maiúsculas misturadas a tipografias pueris e uma incontinência de metros e afetações gerais em verdadeiro confronto com o estro autêntico que revelaria por si, este sim, o gênio da língua.
 
O Simbolismo representa na poesia uma restituição da ideia, ao passo que o Parnasianismo é a forma decadente que pode nos aparecer por aqui como a simplicidade afetada do Sr. Junqueiro que se dá neste vazio de poesia de ar. No entanto, quando a crítica de José Veríssimo se volta pela primeira vez para o trabalho literário de Cruz e Sousa ele detona o poeta como um parnasiano que atua como um mau imitador de Verlaine, e o crítico, neste ímpeto demolidor, não poupa de acusar o conjunto de sonetos do poeta Cruz e Sousa neste Broquéis como um intento gorado que se encaixa forçosamente no plano literário simbolista, imitação falha do mestre Baudelaire, caricatura do esteta da Fêtes Galantes (Verlaine).  
 
E quanto ao Missal, o livro de prosa de Cruz e Sousa, este tem destino mais feroz ainda do que a poesia de Broquéis nas mãos do crítico Veríssimo, que o situa como um amontoado de palavras levantadas ao acaso como num sorteio que se torna um espetáculo febril na profusão afetadíssima e superabundante de maiúsculas, em que o monturo de palavras não diz nada, inspiração palavrosa e oca, mistifório alambicado de conteúdo inexistente.  
 
Os Últimos sonetos de Cruz e Sousa, contudo, alteram um tanto a disposição crítica e os juízos estéticos do crítico Veríssimo em relação à atividade literária do poeta simbolista, que o crítico lhe acusava antes de um poeta melodista sem no entanto alcançar grau de expressão ou densidade de tema suficientes para uma poesia propositiva e não apenas musical.
 
O crítico tende então a admitir, com certas proporções, a grandeza poética de Cruz e Sousa, sem deixar de lado a sua crítica da falta de expressão de um poeta melífluo como era Cruz e Sousa, no seu fetiche dos sons que afeta uma musicalidade vazia de que uma poesia esteta muitas vezes padece. Eis que a falta do dom de expressão clássica, contudo, não impede Veríssimo, ainda assim, de contemplar em tal estro de Cruz e Sousa a alma recôndita, estro muitas vezes trágico de uma vida miserável de um Cruz e Sousa dorido, que o crítico não olvidou e lhe granjeou este intento, o poeta simbolista tinha seu lugar e seu valor poéticos reconhecidos ao fim do trajeto.
 
POEMAS:
 
VIOLÕES QUE CHORAM ... : O poema melodioso é um dos mais conhecidos do poeta Cruz e Sousa, longo e intenso, nos dá o dom musical e a riqueza adjetivada de violões plangentes que flutuam por todo este poema, e que nos dá também a expressão sonora de que a poesia de Cruz e Sousa é pródiga: “Ah! plangentes violões dormentes, mornos,/Soluços ao luar, choros ao vento ...” (...) “Noites de além, remotas, que eu recordo,/Noites de solidão, noites remotas/Que nos azuis da Fantasia bordo,/Vou constelando de visões ignotas./Sutis palpitações à luz da lua,/Anseio dos momentos mais saudosos,/Quando lá choram na deserta rua/As cordas vivas dos violões chorosos.”. A cena do luar e os violões chorosos, e eis aqui seguindo os versos mais conhecidos do poeta, seu estro em aliteração, cume de sua poesia sonora e musical: “Vozes veladas, veludosas vozes,/Volúpias dos violões, vozes veladas,/Vagam nos velhos vórtices velozes/Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas./Tudo nas cordas dos violões ecoa/E vibra e se contorce no ar, convulso .../Tudo na noite, tudo clama e voa/Sob a febril agitação de um pulso./Que esses violões nevoentos e tristonhos/São ilhas de degredo atroz, funéreo,/Para onde vão, fatigadas do sonho,/Almas que se abismaram no mistério.”. O destino das almas que somem no mistério, eis o que a poesia simbolista é farta, misticismo, espiritualidade, tudo isso no estro musical de um dom que da melodia tem tema afim com os violões : “Como me embala toda essa pungência,/Essas lacerações como me embalam,/Como abrem asas brancas de clemência/As harmonias dos violões que falam!/Que graça ideal, amargamente triste,/Nos lânguidos bordões plangendo passa .../Quanta melancolia de anjo existe/Nas visões melodiosas dessa graça .../Que céu, que inferno, que profundo inferno,/Que ouros, que azuis, que lágrimas, que risos,/Quanto magoado sentimento eterno/Nesses ritmos trêmulos e indecisos ...”. A profusão de evocações vem aos borbotões, a poesia ganha intensidade, e as imagens pululam com força de uma pena melíflua que avança em estro determinado, com seu poema emblema, a obra completa com seu exemplo mor, violões que choram: “E como que há histéricos espasmos/Na mão que esses violões agita, largos .../E o som sombrio é feito de sarcasmos/E de sonambulismos e letargos./Fantasmas de galés de anos profundos/Na prisão celular atormentados,/Sentindo nos violões os velhos mundos/Da lembrança fiel de áureos passados;/Meigos perfis de tísicos dolentes/Que eu vi dentre os violões errar gemendo,/Prostituídos de outrora, nas serpentes/Dos vícios infernais desfalecendo;” (...) “Toda a mórbida música plebeia/De requebros de fauno e ondas lascivas,/A langue, mole e morna melopeia/Das valsas alanceadas, convulsivas;/Tudo isso, num grotesco desconforme,/Em ais de dor, em contorções de açoites,/Revive nos violões, acorda e dorme/Através do luar das meias-noites!”. Este poema, portanto, é o clímax de toda a poesia de Cruz e Sousa.
 
RESSURREIÇÃO: O poema retorna o amor como um endereço certo que é errante até que se encontra novamente, e aqui vem como poesia bem posta, na veia certeira, sem espasmos de derrota, com o vinho luminoso de uma natureza transfigurada : “Alma! Que tu não chores e não gemas,/Teu amor voltou agora.” (...) “Veio mesmo mais belo e estranho, acaso,/Desses lívidos países./Mágica flor a rebentar de um vaso/Com prodigiosas raízes./Veio transfigurada e mais formosa/Essa ingênua natureza,/Mais ágil, mais delgada, mais nervosa,/Das essências da Beleza.”. Planando nas essências da beleza, a poesia amorosa derrama e floreia com dons místicos, eis que a música segue: “O meu Amor voltou de aéreas curvas,/Das paragens mais funestas .../Veio de percorrer torvas e turvas/E funambulescas festas.” (...) “Ele andou pelas plagas da loucura,/O meu Amor abençoado,/Banhado na poesia da Ternura,/No meu Afeto banhado./Andou! Mas afinal de tudo veio,/Mais transfigurado e belo,/Repousar no meu seio o próprio seio/Que eu de lágrimas estrelo./De lágrimas de encanto e ardentes beijos,/Para matar, triunfante,/A sede ideal de místicos desejos/De quando ele andou errante./E lágrimas, que, enfim, caem ainda/Com os mais acres dos sabores/E se transformam (maravilha infinda!)/Em maravilhas de flores!/Ah! que feliz um coração que escuta/As origens de que é feito!/E que não é nenhuma pedra bruta/Mumificada no peito!/Ah! que feliz um coração que sente/Ah! tudo vivendo intenso/No mais profundo borbulhar latente/Do seu fundo foco imenso!”. O anseio vira canto de vitória, ah, a alegria do retorno em estro doce e contente, e que se firma em poesia fina e bem devota de melodia: “Do teu olhar que redime./Já não te sinto morta na minh`alma/Como em câmera mortuária,/Naquela estranha e tenebrosa calma/De solidão funerária.” (...) “Não! não te sinto mortalmente envolta/Na névoa que tudo encerra .../Doce espetro do pó da poeira solta/Deflorada pela terra./Não sinto mais o teu sorrir macabro/De desdenhosa caveira./Agora o coração e os olhos abro/Para a Natureza inteira!” (...) “Ah! foi com Deus que tu chegaste, é certo,” (...) “tu, afinal, ressuscitaste/E tudo em mim ressuscita./E o meu Amor, que repurificaste,/Canta na paz infinita!”. A coda então nos anuncia que a ressurreição é nada mais que a paz infinita, e o poema é como uma assinatura confirmando esta aventura.
 
POEMAS:
 
VIOLÕES QUE CHORAM ...
 
Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento ...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.
 
Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites de solidão, noites remotas
Que nos azuis da Fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas.
 
Sutis palpitações à luz da lua,
Anseio dos momentos mais saudosos,
Quando lá choram na deserta rua
As cordas vivas dos violões chorosos.
 
Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.
 
Harmonias que pungem, que laceram,
Dedos nervosos e ágeis que percorrem
Cordas e um mundo de dolências geram
Gemidos, prantos, que no espaço morrem ...
 
E sons soturnos, suspiradas mágoas,
Mágoas amargas e melancolias,
No sussurro monótono das águas,
Noturnamente, entre ramagens frias.
 
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
 
Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso ...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso.
 
Que esses violões nevoentos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funéreo,
Para onde vão, fatigadas do sonho,
Almas que se abismaram no mistério.
 
Sons perdidos, nostálgicos, secretos,
Finas, diluídas, vaporosas brumas,
Longo desolamento dos inquietos
Navios a vagar à flor de espumas.
 
Oh! languidez, languidez infinita,
Nebulosas de sons e de queixumes,
Vibrado coração de ânsia esquisita
E de gritos felinos de ciúmes!
 
Que encantos acres nos vadios rotos
Quando em toscos violões, por lentas horas
Vibram, com a graça virgem dos garotos,
Um concerto de lágrimas sonoras!
 
Quando uma voz, em trêmulos, incerta,
Palpitando no espaço, ondula, ondeia,
E o canto sobe para a flor deserta,
Soturna e singular da lua cheia.
 
Quando as estrelas mágicas florescem,
E no silêncio astral da Imensidade
Por lagos encantados adormecem
As pálidas ninfeias da Saudade!
 
Como me embala toda essa pungência,
Essas lacerações como me embalam,
Como abrem asas brancas de clemência
As harmonias dos violões que falam!
 
Que graça ideal, amargamente triste,
Nos lânguidos bordões plangendo passa ...
Quanta melancolia de anjo existe
Nas visões melodiosas dessa graça ...
 
Que céu, que inferno, que profundo inferno,
Que ouros, que azuis, que lágrimas, que risos,
Quanto magoado sentimento eterno
Nesses ritmos trêmulos e indecisos ...
 
Que anelos sexuais de monjas belas
Nas ciliciadas carnes tentadoras,
Vagando no recôndito das celas,
Por entre as ânsias dilaceradoras ...
 
Quanta plebeia castidade obscura
Vegetando e morrendo sobre a lama,
Proliferando sobre a lama impura,
Como em perpétuos turbilhões de chama,
 
Que procissão sinistra de caveiras,
De espetros, pelas sombras mortas, mudas
Que montanhas de dor, que cordilheiras
De agonias aspérrimas e agudas.
 
Véus neblinosos, longos, véus de viúvas
Enclausuradas nos ferais desterros,
Errando aos sóis, aos vendavais e às chuvas,
Sob abóbadas lúgubres de enterros;
 
Velhinhas quedas e velhinhos quedos,
Cegas, cegos, velhinhas e velhinhos,
Sepulcros vivos de senis segredos,
Eternamente a caminhar sozinhos;
 
E na expressão de quem se vai sorrindo,
Com as mãos bem juntas e com os pés bem juntos
E um lenço preto o queixo comprimindo,
Passam todos os lívidos defuntos ...
 
E como que há histéricos espasmos
Na mão que esses violões agita, largos ...
E o som sombrio é feito de sarcasmos
E de sonambulismos e letargos.
 
Fantasmas de galés de anos profundos
Na prisão celular atormentados,
Sentindo nos violões os velhos mundos
Da lembrança fiel de áureos passados;
 
Meigos perfis de tísicos dolentes
Que eu vi dentre os violões errar gemendo,
Prostituídos de outrora, nas serpentes
Dos vícios infernais desfalecendo;
 
Tipos intonsos, esgrouviados, tortos,
Das luas tardas sob o beijo níveo,
Para os enterros dos seus sonhos mortos
Nas queixas dos violões buscando alívio;
 
Corpos frágeis, quebrados, doloridos,
Frouxos, dormentes, adormidos, langues,
Na degenerescência dos vencidos
De toda a geração, todos os sangues;
 
Marinheiros que o mar tornou mais fortes,
Como que feitos de um poder extremo
Para vencer a convulsão das mortes,
Dos temporais o temporal supremo;
 
Veteranos de todas as campanhas,
Enrugados por fundas cicatrizes,
Procuram nos violões horas estranhas,
Vagos aromas, cândidos, felizes.
 
Ébrios antigos, vagabundos velhos,
Torvos despojos da miséria humana,
Têm nos violões secretos Evangelhos,
Toda a Bíblia fatal da dor insana.
 
Enxovalhados, tábidos palhaços
De carapuças, máscaras e gestos
Lentos e lassos, lúbricos, devassos,
Lembrando a florescência dos incestos;
 
Todas as ironias suspirantes
Que ondulam no ridículo das vidas,
Caricaturas tétricas e errantes
Dos malditos, dos réus, dos suicidas;
 
Toda essa labiríntica nevrose
Das virgens nos românticos enleios,
Os ocasos do Amor, toda a clorose
Que ocultamente lhes lacera os seios:
 
Toda a mórbida música plebeia
De requebros de fauno e ondas lascivas,
A langue, mole e morna melopeia
Das valsas alanceadas, convulsivas;
 
Tudo isso, num grotesco desconforme,
Em ais de dor, em contorções de açoites,
Revive nos violões, acorda e dorme
Através do luar das meias-noites!
 
RESSURREIÇÃO
 
Alma! Que tu não chores e não gemas,
Teu amor voltou agora.
Ei-lo que chega das mansões extremas,
Lá onde a loucura mora!
 
Veio mesmo mais belo e estranho, acaso,
Desses lívidos países.
Mágica flor a rebentar de um vaso
Com prodigiosas raízes.
 
Veio transfigurada e mais formosa
Essa ingênua natureza,
Mais ágil, mais delgada, mais nervosa,
Das essências da Beleza.
 
Certo neblinamento de saudade
Mórbida envolve-a de leve ...
E essa diluente espiritualidade
Certos mistérios descreve.
 
O meu Amor voltou de aéreas curvas,
Das paragens mais funestas ...
Veio de percorrer torvas e turvas
E funambulescas festas.
 
As festas turvas e funambulescas
Da exótica fantasia,
Por plagas cabalísticas, dantescas,
De estranha selvageria.
 
Onde carrascos de tremendo aspecto
Como astros monstros circulam
E as meigas almas de sonhar inquieto
Barbaramente estrangulam.
 
Ele andou pelas plagas da loucura,
O meu Amor abençoado,
Banhado na poesia da Ternura,
No meu Afeto banhado.
 
Andou! Mas afinal de tudo veio,
Mais transfigurado e belo,
Repousar no meu seio o próprio seio
Que eu de lágrimas estrelo.
 
De lágrimas de encanto e ardentes beijos,
Para matar, triunfante,
A sede ideal de místicos desejos
De quando ele andou errante.
 
E lágrimas, que, enfim, caem ainda
Com os mais acres dos sabores
E se transformam (maravilha infinda!)
Em maravilhas de flores!
 
Ah! que feliz um coração que escuta
As origens de que é feito!
E que não é nenhuma pedra bruta
Mumificada no peito!
 
Ah! que feliz um coração que sente
Ah! tudo vivendo intenso
No mais profundo borbulhar latente
Do seu fundo foco imenso!
 
Sim! eu agora posso ter deveras
Ironias sacrossantas ...
Posso os braços te abrir, Luz das Esferas,
Que das trevas te levantas.
 
Posso mesmo já rir de tudo, tudo
Que me devora e me oprime.
Voltou-me o antigo sentimento mudo
Do teu olhar que redime.
 
Já não te sinto morta na minh`alma
Como em câmera mortuária,
Naquela estranha e tenebrosa calma
De solidão funerária.
 
Já não te sinto mais embalsamada
No meu carinho profundo,
Nas mortalhas da Graça amortalhada,
Como ave voando do mundo.
 
Não! não te sinto mortalmente envolta
Na névoa que tudo encerra ...
Doce espetro do pó da poeira solta
Deflorada pela terra.
 
Não sinto mais o teu sorrir macabro
De desdenhosa caveira.
Agora o coração e os olhos abro
Para a Natureza inteira!
 
Negros pavores sepulcrais e frios
Além morreram com o vento ...
Ah! como estou desafogado em rios
De rejuvenescimento!
 
Deus existe no esplendor de algum Sonho
Lá nalguma estrela esquiva,
Só ele escuta o Soluçar medonho
E torna a Dor menos viva.
 
Ah! foi com Deus que tu chegaste, é certo,
Corri a sua graça espontânea
Que emigraste das plagas do Deserto
Nu, sem sombra e sol, da Insânia!
 
No entanto como que volúpias vagas
Desses horrores amargos,
Talvez recordação daquelas plagas
Dão-te esquisitos letargos ...
 
Porém tu, afinal, ressuscitaste
E tudo em mim ressuscita.
E o meu Amor, que repurificaste,
Canta na paz infinita!
 

Gustavo Bastos, filósofo e escritor
Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com 

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