Seculo

 

Segue a trama


05/09/2017 às 11:33
O governador Paulo Hartung (PMDB) que havia paralisado seu processo de projeção nacional depois da crise na segurança pública e a subsequente denúncia de articulação de “caixa dois” com a Odebrecht, voltou a se movimentar intensamente para fora do Estado, sobretudo após o arquivamento da denúncia pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no início de agosto.
 
Hartung vem intensificando há cerca de três meses sua agenda de entregas no interior do Estado para equilibrar o jogo com a senadora municipalista Rose de Freitas. Mas o fato político criado esta semana com uma declaração do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, de que o governador capixaba, com quem havia falado apenas três vezes, era um grande nome para compor chapa presidenciável. 
 
Agora os dois viraram amigos de infância e vão levar essa trama adiante. Dificilmente Joaquim Barbosa venha a disputar a Presidência. Mas enquanto alimentam essa ideia confundem o mercado político, e observam os movimentos que vão compor o cenário eleitoral do próximo ano. Para as lideranças políticas, essa aproximação tem o dedo da FSB Comunicação, empresa que cuida da imagem de Hartung em nível nacional e é líder em excelência quando o assunto é articulação política e construção de imagem. 
 
Esse tipo de declaração, feita em nível nacional, também ajuda na construção de um projeto em que Paulo Hartung seja o capitão no Espírito Santo. Com o fortalecimento de Rose de Freitas e sua aproximação cada vez maior com o ex-governador Renato Casagrande (PSB), aumenta a tensão no Palácio Anchieta, sobretudo se o deputado Sergio Majeski (PSDB) também se aventurar em 2018.
 
Hartung não precisa ter a mesma força que antes, mas precisa projetar sua imagem para garantir solidez ao seu palanque, estando ele à frente ou apoiando um aliado para evitar que o grupo anti-Paulo se torne um problema intransponível.
 
Além do mais, vai que a articulação com o ex-ministro avance e eles montem uma surreal chapa presidencial, com um neófito como candidato a presidente e um governador de um Estado sem projeção política nacional como vice com a bandeira da defesa “das pessoas de bem”. Se avaliarmos as estranhas coisas que vem acontecendo na política nacional, pode dar certo.
 
Fragmentos
 
1 – Apesar de as movimentações iniciais apontarem para um protagonismo do prefeito de Vila Velha Max Filho a caminho da presidência estadual do PSDB, há muitas apostas em Luiz Paulo Vellozo Lucas.
 
2 – O deputado estadual Amaro Neto (SD) usou a tribuna da Assembleia nessa segunda-feira (4) para explicar o entrevero no qual se meteu no fim de semana, quando foi parado pela Polícia Militar, depois que deixou um posto de combustível antes que fosse confirmado o pagamento pelo serviço. 
 
3 – O ex-governador Renato Casagrande (PSB) fez palestra na Serra nessa segunda-feira. O socialista disse ter um carinho especial pelo município. Não é para menos. Foi na serra que ele teve o melhor desempenho em 2014 contra Paulo Hartung. E também foi a Serra, na gestão de Sergio Vidigal (PDT), que o abrigou depois que perdeu a disputa ao governo do Estado em 1998.

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