Seculo

 

Portuários fazem ‘Abraço ao Porto’ contra a privatização da Codesa


05/09/2017 às 18:49
Os portuários, unidos à classe trabalhadora, realizaram na manhã desta terça-feira (5) um ato solidário de união em defesa do patrimônio público. De mãos dadas, os trabalhadores fizeram um “Abraço ao Porto” contra a privatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).
 
No protesto, foi formada uma corrente humana em torno do porto, mostrando à sociedade a necessidade de união das categorias para defender o patrimônio público.

O Sindicato Unificado da Orla Portuária (Suport-ES) — que representa os trabalhadores da companhia docas e portuários que atuam em outros terminais — contou com mais 13 sindicatos, federações de trabalhadores e de moradores e centrais, além de funcionários e assessorias do Suport, trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas da Codesa, portuários avulsos, vinculados de terminais, trabalhadores e sociedade em geral, que formaram uma rede de apoio em defesa da companhia.

Em um carro de som, os trabalhadores fizeram um alerta para as consequências da privatização da maior empresa pública do Estado, que vai trazer impactos negativos para a economia capixaba. Também foram distribuídos panfletos informando sobre as perdas à sociedade com a privatização.

As categorias temem a criação de um modelo portuário que trará monopólios e cartéis, fazendo com que cargas deixem de operar pelos nossos portos. Além disso, trabalhadores serão demitidos, até mesmo os concursados e operadores portuários vão perder espaço para grandes empresários.

O presidente do Suport-ES, Ernani Pereira Pinto, fez duras críticas ao governo do presidente Michel Temer. “Dizemos não ao entreguismo do patrimônio público. Querem nos privatizar e não vamos aceitar. Esse governo não fala a linguagem da classe trabalhadora. Os portos são essenciais para manter a economia e os empregos que são gerados”, destacou Ernani.

Participam, além do Suport-ES, os Sindicatos dos Estivadores (Sindiestiva-ES), dos Arrumadores, dos Vigias, dos Amarradores e dos Conferentes, da Guarda  Portuária do Espírito Santo (Sindguapor-ES), dos Trabalhadores em Transporte Aquaviário (Aquasind), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Central dos Trabalhadores Brasileiros (CTB), Federação Nacional dos Portuários (FNP), Federação Nacional dos Estivadores (FNE),  Federação dos Conferentes e Arrumadores, além da Associação dos Operadores Portuários (Aopes).

O movimento realizado na manhã desta terça-feira é o segundo “Abraço ao Porto” realizado em torno da Codesa. Nos anos 1990, o Movimento Nacional em Defesa dos Portos (MNDP) foi uma grande mobilização, quando o então presidente Fernando Collor propôs uma nova legislação portuária que modificou as questões institucionais, bem como toda a relação capital e trabalho.

O MNDP foi criado em Vitória, como parte de um processo de unificação de estratégia sindical, que teve papel estratégico e foi marcado por um grande “abraço ao porto público”. Na época, eram mais de mil empregados na Codesa e hoje são pouco mais de 300 trabalhadores. Já houve desvalorização da mão de obra, extremamente qualificada, e o evento marca a luta para que os trabalhadores sejam reconhecidos e valorizados.

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