Seculo

 

Cuidado com os salvadores


06/09/2017 às 13:06
Em 1989, Fernando Collor de Mello disputou a eleição presidencial com o título de “Caçador de Marajás”. Isso porque ele vinha de um bem-avaliado governo à frente do estado de Alagoas, em que empreendeu estrategicamente um combate a alguns funcionários públicos que recebiam salários altos. 
 
Isso aliado à boa pinta criou um personagem que o conduziu à Presidência da República. O desfecho da história não precisa ser lembrado. Também foram personagens criados no imaginário eleitoral as figuras dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, como o acadêmico em condições de salvar a política pelo conhecimento intelectual. E do presidente Lula, como o homem da justiça social e assistencialismo. Nenhum deles salvou a pátria. 
 
A coluna não quer fazer qualquer tipo de comparação entre a figura de Fernando Collor e a do governador Paulo Hartung, até porque não há politicamente semelhanças entre as suas atuações. Mas o episódio de Collor e da construção de sua personagem lembram o que está sendo movimentado no cenário atual. 
 
Hartung vende para a imprensa nacional, por meio de uma bem paga assessoria de comunicação externa, a ideia de que o Espírito Santo é um exemplo de gestão. Um discurso extremamente coerente para o momento político do País. Olhando para o exemplo desastroso do vizinho Rio de Janeiro, o governo Paulo Hartung consegue transformar a obrigação do pagamento em dia em uma grande vantagem, o que na verdade, não é. 
 
O retrospecto da gestão no Estado não tem nada de maravilhoso, principalmente quando se olham os índices sociais do Estado, sobre a violência, o número de alunos fora da escola, a situação dos hospitais. Mas para inglês ver, a coisa está boa. Ainda mais com a ajudinha de uma boa assessoria. 
 
De qualquer forma, o personagem do homem público responsável e da salvação da política pela política está criado. Resta saber se essa projeção sobrevive até o processo eleitoral do próximo ano. 
 
Fragmentos:
 
1 – Com a aproximação de Hartung e do ex-ministro Joaquim Barbosa, hoje o Estado tem duas lideranças na espera de uma composição presidencial. Afinal, o senador Magno Malta (PR) também pleiteia a vaga de vice no palanque de Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Quem ganha?
 
2 – Dificilmente Hartung se filiaria ao PSB para uma composição com Joaquim Barbosa, que, esse sim, é objeto de desejo do ninho da pomba. Uma chapa puro sangue a Presidência não seria uma boa ideia para a disputa. 
 
3 – Os deputados estaduais que estão rodando com o governador Estado adentro e que tanto defendem o governo Paulo Hartung vão ficar amparados se ele disputar a vice-presidência?

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