Seculo

 

O campo é espaço de vida, não só de produção agrícola


08/09/2017 às 16:17
O campo é muito mais do que espaço de produção agrícola. É espaço de vida, onde a cultura, a democracia, a educação, a saúde, o lazer e o trabalho são produzidos de forma única e de cuja sustentabilidade depende a qualidade de vida das cidades também.

Esse é o entendimento básico a partir do qual os educadores do campo do Espírito Santo irão se reunir para o Seminário Capixaba de Licenciaturas em Educação do Campo, que acontece dias 27 e 28 de setembro no Auditório do Centro de Ciências Exatas (CCE) do campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Além da Ufes e do MPA, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também assina a realização do evento.

A abertura será no dia 27 às 19h com uma mística e, em seguida, uma mesa redonda com palestra de Aloísio Souza da Silva, da coordenação estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), sobre A Conjuntura Nacional e Formas de Enfrentamento.

Na quinta-feira, a programação acontece de 8h às 22h, período em que uma feira agroecológica estará em funcionamento. Após apresentação da Banda de Congo Panela de Barro, de Goiaberias, as mesas-redondas, versarão sobre A Questão Agrária na América Latina: os desafios da formação na era do agronegócio, com Roberta Sperandio Traspadini, da Universidade Federal da Integração Latino americana (Unila), e sobre experiências de Alternância nas escolas do campo, nas Escolas Família Agrícola (EFAs) e na Licenciatura.

No período da tarde, os Grupos de Trabalho (GTs) discutirão os temas Fechamento das Escolas do Campo no Espírito Santo, Educação do Campo por Área de Conhecimento, A Alternância na Educação do Campo e Licenciatura em Educação do Campo: o campo do agronegócio e o campo da Agroecologia.

Aloísio Souza da Silva conta que a subordinação da agricultura ao agronegócio e ao capital está agora num novo momento, em que as fronteiras políticas dos estados nacionais perdem ainda mais importância, por meio de imensas facilitações tributárias de desoneração do capital, e as empresas passam a atuar em toda a cadeia produtiva do seu negócio, definindo a localização de suas estruturas físicas a partir da fertilidade do solo, da disponibilidade de água, do clima e da oferta de mão de obra barata.

“Quem está na cadeia das carnes opera desde o processo produtivo, passa pela logística e chega até a indução ao consumo. Nos grãos, a mesma forma e, assim, sucessivamente”, conta o líder camponês.

Monopólio da terra pelo uso

No momento atual, a ofensiva contra as comunidades camponesas, indígenas e quilombolas é ainda mais agressiva. E o monopólio do uso da terra passa a se dar não só a partir da propriedade da terra, mas, cada vez mais, pelo uso. “Quando a Aracruz Celulose [Fibria] chegou no Espírito Santo, comprou muita terra. Hoje não, ela arrenda ou induz que o proprietário plante o eucalipto”, exemplifica.

Com o café é a mesma coisa, pois os pequenos produtores estão sendo levados pelo próprio Estado e seus institutos de extensão rural, a comprarem os pacotes de produção e comercialização ditados pelo agronegócio. “A Nestlé está investindo pesado na cadeia do café. Distribui mudas para os agricultores, mas monopoliza o mercado, induz o processo produtivo e monopoliza o preço. Se a produção vale 100, ela paga só 50 e o camponês é obrigado a vender por 50, porque não tem mais ninguém que compre”, descreve Aloísio.

O objetivo é colocar a agricultura camponesa em xeque e tornar o campo apenas um lugar de produção agrícola, com muitas máquinas e poucas pessoas que, expulsas, vão inchar as periferias das cidades e configurar mão de obra barata para outras indústrias.

Para o ataque sistemático que o agronegócio empreende contra a agricultura camponesa, a precarização da educação do campo é estratégia fundamental. “O projeto de Educação do Campo antagoniza com a lógica do agronegócio”, enfatiza o coordenador do MPA. Enquanto um concentra a terra e a renda, compara Aloísio, o outro democratiza; enquanto um destrói a natureza, o outro preserva e recupera o meio ambiente; um afronta os direitos trabalhistas e o outro estabelece o trabalho como meio de vida e bem comunitário; um extingue a biodiversidade e o outro a recupera, resgata as sementes crioulas.

Serviço:
Seminário Capixaba de Licenciaturas em Educação do Campo
Data: 27 de setembro, de 19h00 às 22h00 e 28 de setembro, de 8h às 22h.
Local: Auditório do CCE da Ufes de Goiabeiras
Realização: Ufes, MPA e MST 

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Agência Senado
Cotações

Apesar de já ter anunciado apoio a Majeski, sobem as apostas de que Max Filho poderá, mesmo, é fixar lugar no palanque de Rose

OPINIÃO
Piero Ruschi
Visita à coleção zoológica de Augusto Ruschi
Visitei a coleção zoológica criada por meu pai e seu túmulo na Estação Biológica. Por um lado, bom, por outro, angústia
Gustavo Bastos
Minha luta com o sol - Pentagrama - Parte I
''vi o sol inca ficar vermelho''
Wilson Márcio Depes
A Frente Ampla começou em Cachoeiro?
Município do sul do Estado mantém a falta de entressafra política
Eliza Bartolozzi Ferreira
Cada qual no seu lugar
As escolas fazem ciência; as igrejas doutrinação. Projeto Escola Sem Partido é, no mínimo, uma contradição de base do vereador de Vitória, Davi Esmael (PSB)
Roberto Junquilho
Gestão de marca
Manter elos com redutos eleitorais faz a cabeça da classe política
Geraldo Hasse
Refém do Mercado
O País está preso ao neoliberalismo do tucano Pedro Parente, presidente da BR
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Arrogância também conta?
MAIS LIDAS

Especialista critica projeto Escola Sem Partido proposto por vereador de Vitória

TSE define quanto cada partido receberá do Fundo Eleitoral

Pesquisa de R$ 2 milhões financiada pela ArcelorMittal é aprovada em regime de urgência pela Ufes

Procons fiscalizam aumentos nos preços dos combustíveis em postos de Vitória e Serra

Trabalhadores e empresários da Construção Civil dão trégua de um mês para negociações