Seculo

 

Projeto de vitrine do governo Hartung quer dar 'golpe de morte' nas escolas do campo


18/09/2017 às 18:02
Um "golpe de morte" contra a Educação do Campo é o que sugere a intenção da Secretaria Estadual de Educação (Sedu) de levar o Programa Escola Viva para três Centros Estaduais Integrados de Educação Rural (CEIER) no norte do Estado.

Esse é o entendimento unânime dos educadores que compõem o Comitê Estadual de Educação do Campo e é também o receio das comunidades rurais de Boa Esperança, Vila Pavão e Águia Branca, onde os CEIERs estão localizados, cada um com cerca de 200 estudantes matriculados.

“As três diretoras, que são cargos comissionados, aderiram à proposta. Mas as comunidades estão receosas. Por um lado gostam da ideia de receberem mais recursos, mas, por outro, temem que a Escola Viva afete negativamente o programa que já é desenvolvido com sucesso nas escolas”, relata Carminha Paolielo, membro do Comitê.

Segundo o professor Valter Martins Giovedi, do Centro de Educação e do curso de Licenciatura de Educação do Campo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), “ainda que não seja simples nomear de um só jeito, é possível identificar o projeto de vida individual do estudante como o eixo central do Escola Viva. E a Educação do Campo, desde que ela foi criada, nunca se fundamentou em projetos de vida individuais. A Educação do Campo se fundamenta em projeto de vida coletivos”.

O educador enfatiza que a Educação do Campo é centrada na comunidade como referência a partir do qual organiza o currículo, a gestão, o tempo e espaço da escola, o Projeto Pedagógico como um todo. “A partir das situações que a comunidade vive é que os estudantes, junto com os educadores, vão organizar os encontros pedagógicos. Daí você contribui com uma reflexão crítica transformadora para os projetos coletivos e as individualidades”, explana.

Não significa que os indivíduos são anulados, ressalta o educador. Significa, sim, que ele pensa a sua individualidade a partir desse projeto coletivo. “E isso é a marca fundamental da Educação do Campo”, destaca.

E é aí também que está a armadilha para a qual as populações camponesas precisam ficar atentas. “O discurso é muito sedutor e parece que está promovendo uma educação extremamente democrática e humana, quando na verdade, ela nega a ideia do ser humano como sujeito coletivo”, completa o acadêmico.

Valter lembra que o Programa Escola Viva se encontra no bojo das ações da ONG Espírito Santo Em Ação, executado pelo governo estadual juntamente com grandes empresários ligados à Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), e que tem como perspectiva principal a valorização do pensamento empresarial, que deposita sobre os sujeitos a responsabilidade sobre o seu futuro. “A responsabilidade pelo futuro é coletiva. Não dá pra solucionar problemas das comunidades a partir de projetos individuais. E, sem a escola, não há outra instituição que promoverá essa educação”, alerta.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Facebook
Sem freio

Palestras, CPI, ''showmícios'' e até lançamento de disco. Quem para o casal Magno Malta e Lauriete?

OPINIÃO
Editorial
A Ponte da Discórdia
Terceira Ponte entra novamente no centro dos debates políticos em ano eleitoral. Enquanto isso, a Rodosol continua rindo à toa...
Piero Ruschi
O Governo do ES e seu amor antigo ao desamparo ambiental
Mais um ''Dia Mundial do Meio Ambiente'' se passou. Foi um dia de ''comemoração'' (política)
Gustavo Bastos
Conto surrealista
''virei pasta para entrar mais fácil na pintura de Dalí''
Geraldo Hasse
Caetano dá força a Ciro Gomes
O artista baiano se declara admirador do político cearense candidato a presidente
Roberto Junquilho
A carne mais barata
A população de pessoas em situação de rua aumenta, como sinal de falência da gestão pública
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Entre a salada e o vinho
MAIS LIDAS

Hartung recebe alertas sobre gastos, publicidade e execução de programas em ano eleitoral

Ministério Público acusa superintendente do Ibama/ES de improbidade administrativa

Conto surrealista

Comunidade reforça que base da PM deve ser instalada na parte alta do Morro da Piedade

Sem freio