Seculo

 

O grande desafio de PH


08/10/2017 às 11:22
Esta semana chamou a atenção as filiações inesperadas ao PSDB do secretário de Agricultura Octaciano Neto e do diretor do Departamento de Estrada e Rodagem (DER) Enio Bergoli. As filiações sinalizam que o governador Paulo Hartung (PMDB) sente seu projeto de reeleição vulnerável ao atual ambiente político que vem se desenhando no Espírito Santo. Situação bem diferente de disputas anteriores em que o ambiente sempre esteve mais controlado.
 
Neste momento, PH tem dois obstáculos duros à sua frente: a senadora Rose de Freitas (PMDB) e o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB). 
 
Rose, faz algum tempo, vem se movimentando, sem cerimônias, em direção ao Palácio Anchieta. Valendo-se do seu perfil municipalista, que a consolidou ao longo dos anos sobretudo no interior do Estado, a senadora é uma adversária que pode complicar o projeto de reeleição do governador. Aliás, já vem complicando.
 
No interior, onde Rose sabe onde as corujas dormem, ela se torna uma adversária ainda mais astuta. PH, conhecedor da força da candidata no interior, para tentar equilibrar o jogo, tem se esforçado para se tornar mais presentes nos municípios. Mas esse desejo latente de reeleger-se a todo custo tem feito PH adotar estratégias estranhas ao seu perfil, como, por exemplo, correr atrás de votos. 
 
Há uma disputa ferrenha entre a senadora e governador para conquistar prefeitos e lideranças no interior e fidelizá-los para a eleição de 2018. Mas PH sempre sai dessas abordagens com o pé atrás. Fica em dúvida pensando se pode contabilizar o prefeito ou a liderança no seu palanque. Essa incerteza é típica de quem navega em águas turvas. Ele não sabe identificar as ciladas nesse ambiente. Já Rose usa a experiência de quem está há décadas navegando por esses mares traiçoeiros. Sem dúvida, uma senhora vantagem para a senadora. 
 
Rose tem bom trânsito com os prefeitos porque identificou seus mandatos (na Câmara e agora no Senado) à bandeira municipalista. Ela sempre soube que essa relação com os municípios seria fortalecida com dinheiro. Isso a fez descobrir os atalhos para chegar aos recursos trancados nos cofres públicos de Brasília. Próxima ao presidente Michel Temer, hoje ela é vista pelos prefeitos como a chave-mestra desses cofres. 
 
De outro lado, PH não tem trânsito livre no Palácio do Planalto. Por isso voltou a se aproximar do deputado federal Lelo Coimbra, líder da maioria na Câmara, para manter ao menos um interlocutor de sua confiança junto ao governo federal. Lelo pode até ajudar PH, mas não se compara a Rose no quesito capacidade de influência sobre o governo Temer. 
 
Não resta dúvida que Rose tem qualidades para ser competividade numa eventual disputa com PH, mas falta à senadora uma um trunfo que só Sergio Majeski tem: o deputado é a única liderança legitimamente de oposição ao palanque de PH. 
 
Majeski tem o discurso na ponta da língua para desconstruir o governo de Paulo Hartung. Falta Majeski decidir, porém, se disputará o Senado ou o governo e por qual legenda. Com o pé mais fora do que dentro do PSDB, tudo leva a crer que não será ao lado dos tucanos. Esse é o grande desafio de Majeski: encontrar um partido disposto a encampar seu projeto de oposição a PH.
 
Mas há ainda muitas perguntas no ar. Caso Majeski decida disputar o Senado, em qual palanque ele subiria? Afinal, um projeto a um cargo majoritário depende de um grupo. Além de Rose, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) é outra liderança de peso que também está em campo se movimentando. Prefere, por ora, não adiantar seus passos e mantém suspense para 2018. O que é fato, como registra o Papo de Repórter (08/10/17), é essa aproximação entre Rose e Casagrande, destacando que o socialista está na espera, como um caçador paciente, para ver o que acontece mais à frente.  
 
Essas movimentações apontam que o cenário não é tão favorável à reeleição de PH como ele vem propalando por aí. Outro dia soube que uma liderança do noroeste do Estado não quer ver PH nem pintado de ouro. Refiro-me a Antônio  ngelo Moschen, ex-deputado estadual e atual secretário de Saúde de São Domingos do Norte. O petista, primeiro dirigente sindical a se eleger deputado estadual, sempre foi um importante cabo-eleitoral de PH na região, mas agora já avisou que não sobe mais no palanque do governador. 
 
A notícia ruim para PH é que o descontentamento de Moschen não é um caso pontual. O governador está colecionando um número crescente de desafetos no interior. Esses elementos vão confirmando que PH, como tenta passar - especialmente de fora para dentro - não está com essa bola toda. Tudo indica que ele terá um disputa muito dura pela frente, talvez a eleição mais difícil de sua vida. Diferentemente de outros pleitos, ele não pode mais decidir dentro do gabinete quais serão seus adversários. Terá que enfrentar quem vem pela frente. Essa situação de vulnerabilidade de PH que a grande mídia não conta, mas que é nítida para quem acompanha política mais de perto, vem encorajando outras lideranças que começam a acreditar que o governador não é imbatível.
 
Sem contar o fator “desconfiômetro”. Os eleitores do interior veem esse “PH generoso” com os dois pés atrás. E quando o povo desconfia...

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