Seculo

 

A redenção de Ricardo


09/10/2017 às 12:18
O senador Ricardo Ferraço nunca foi uma liderança bafejada pela sorte. Mas, desta vez, parece que a situação pode lhe favorecer. Graças a uma manobra precipitada do vice-governador César Colnago, de filiar às pressas aliados palacianos no PSDB, como se já tivesse consolidado sua vitória na disputa da estadual, o senador aparece como solução para acalmar os ânimos dentro do partido. 
 
Uma vez arrefecida a temperatura interna no ninho tucano, além de garantir a paz, o senador pode ganhar musculatura política para se tornar um jogador importante no jogo político do próximo ano. Afinal, como presidente do PSDB capixaba ele terá condição de se tornar o grande articulador do partido em 2018. 
 
Isso não significa que Ricardo possa tirar o ninho do palanque de Hartung, mas a negociação se daria em outro patamar. Dentro do partido, a reeleição do senador é uma prioridade. Isso vem da nacional, é um assunto inegociável para as composições no Estado. Mas com Ricardo negociando isso, a possibilidade de manobra desaparece. 
 
Além disso, Ricardo Ferraço pode se movimentar sem a irritação causada por Colnago no grupo que não se alinha ao Palácio Anchieta. Com o partido na mão, o senador se torna um articulador no processo de 2018 e em condições de negociar com o governador Paulo Hartung. Por isso, dentro do partido o nome dele tem ganhado aderência para a disputa interna de novembro. 
 
Se Ricardo Ferraço se fortalece, Colnago fica em situação complicada. O governador, obviamente, preferia seu vice no comando do partido a Ricardo Ferraço, que tem aquela mágoa antiga de 2010, quando foi substituído pelo então senador Renato Casagrande (PSB), na cabeça de chapa à sucessão de Hartung. É uma questão de confiança. Mas se não tem tu, o governador vai ter que negociar com “tu mesmo”. 
 
Fragmentos:
 
1 – Os deputados estaduais que estavam contando como apoio de Amaro Neto (SD) para fortalecer seus palanques à reeleição no próximo ano, devem colocar as barbas de molho. A julgar pela falta de interesse do governador em resolver problemas do plenário da Assembleia. Os parlamentares podem ser barrados na campanha palaciana.
 
2 – A declaração do deputado ao jornal ES Hoje pode colocar ainda mais fogo na relação do plenário. É que desde que houve o lançamento da possível candidatura de Amaro Neto ao Senado, a ideia era fazer um tour pelo Estado com a estrela máxima da Assembleia, o que não estaria acontecendo. Já tem deputado irritado com isso.
 
3 – Mal começou a movimentação dos aliados palacianos em direção ao PSDB e o deputado estadual Esmael Almeida, que hoje está no PMDB de Paulo Hartung, já se assanha a buscar aproximação com o ninho tucano.

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