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Na executiva estadual, filiação de secretário deve ampliar racha no PSDB


10/10/2017 às 15:54
A decisão da executiva municipal do PSDB de Vitória deve ser levada para a estadual, assim que o secretário de Agricultura do Estado Octaciano Neto for a notificação, ele deve recorrer da decisão da municipal, que por maioria (5 a 3) negou a filiação dele ao partido. Os tucanos que votaram contra alegaram que a filiação de secretário de Estado teria que ser submetida à executiva estadual. 
O debate na executiva estadual, que vai analisar a filiação, deve sofrer a influência da discussão sobre a disputa pela presidência estadual do partido. Nesta terça-feira (10) o vice-governador César Colnago, que foi quem filiou o secretário, esteve em Brasília conversando com a cúpula tucana, com a intenção de tentar fechar por cima a filiação de Octaciano.
 
Manifesto questionado
 
Outra questão que vem repercutindo dentro do partido é uma nota divulgada por Colnago, na condição de secretário-geral da legenda, que desqualifica o manifesto aprovado em um encontro do PSDB realizado no dia 30 de setembro. 
 
A nota, assinada por Colnago e datada da última quarta-feira (4), diz que Octaciano Neto e Enio Bergoli (diretor do DER) “foram recebidos com satisfação no partido e que vêm para somar e cumprir um papel relevante na construção das chapas proporcionais de deputados do PSDB, fator preponderante para que o partido tenha assento nas cadeiras dos parlamentos estadual e federal”. Ele registra ainda que o “ chamado ‘Manisfesto’, lido em reunião, no último sábado (30), não foi debatido e nem tampouco aprovado pela Executiva Estadual”, diz a nota.
 
Isso porque, segundo a nota de Colnago, a reunião não teve caráter deliberativo oficial, não configurando, portanto, um fórum convocado para qualquer deliberação, conforme previsto na forma dos artigos 19 e 42 de do estatuto do partido e como não foi votado, teria valor “inócuo”.
 
A nota causou reações no partido, sobretudo, entre aqueles que não estão alinhados ao Palácio Anchieta. O nome dos filiados não é o ponto que traz irritação e sim a forma como foram feitas as filiações, sem a aprovação da executiva municipal, como determina também o estatuto do partido.
 
Segundo interlocutores tucanos, a movimentação de Colnago teria posto em xeque a possibilidade de um acordo para a formação de uma chapa de consenso e caso Colnago insista na disputa, o que deve acontecer, pode haver uma disputa entre ele e outro grupo liderado ou pelo prefeito de Vila Velha, Max Filho, ou pelo senador, Ricardo Ferraço. 
 
Outro ponto que também gera polêmica sobre a disputa à presidência do PSDB é a possibilidade de o Conselho de Ética do Estado deliberar em favor do vice-governador sobre a ocupação do cargo de presidente de partido. O conselho se reuniria em 12 de dezembro, mas uma extraordinária foi convocada para debater o “Caso Colnago”. 
 
Para aumentar a insegurança dos tucanos sobre o assunto, foi protocolado um ofício nesta terça-feira (10), pelo ex-presidente da Central de Abastecimento do Estado (Ceasa), Joé Carlos Buffon, ao presidente do Conselho de Estadual de Ética Pública (CEEP), Jovacy Peter Filho, pedindo a decisão do conselho sobre a situação antes do fim do mês de outubro. O conselho se reúne nesta quarta-feira (11) para designar um relator para analisar o “Caso Colnago”. 
 
Costura por cima
 
Na sessão desta terça-feira da Assembleia, o deputado estadual Sergio Majeski repercutiu o debate interno do PSDB. O tucano citou uma notícia do site Agência Congresso sobre a ida de Colnago para Brasília, alertando que a filiação de Octaciano Neto seria por cima. “Se tal coisa ocorrer, vai mostrar a falta de republicanismo por parte do vice-governador. Seria lamentável se isso realmente ocorresse. Vivemos tempos obscuros. Os partidos deveriam ser os primeiros a respeitar os estatutos”, disse. 
 
Majeski também criticou a candidatura de Colnago ao comando do PSDB e destacou que a movimentação está dentro do projeto do governador Paulo Hartung para levar o maior número de partidos para seu palanque na disputa eleitoral do próximo ano. “Causa estranheza que o vice-governador insista em ser presidente do PSDB, quando o Conselho de Ética diz claramente que é incompatível [acumular as duas funções]. As ações falam muito mais sobre o que as pessoas são do que os seus discursos”, cutucou Majeski.

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