Seculo

 

Famílias sem terras voltam a ocupar fazenda em Nova Venécia


10/10/2017 às 17:35
A Fazenda Neblina, localizada no Córrego Serra de Cima, em Nova Venécia (noroeste do Estado), voltou a ser ocupada por 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nesse domingo (8). A área, de quase seis mil hectares, havia sido alvo de uma ação de reintegração de posse determinada pela Justiça em julho deste ano. Mas os camponeses decidiram retornar à fazenda para reafirmar sua luta, garantindo permanência até que o governo federal a destine para a Reforma Agrária.
A criação de um assentamento no local, segundo o coordenador do MST no Estado, Ângelo de Souza, é passo essencial para resolver o problema dessas famílias, que demandam terra para viver, produzir e ter uma vida digna. 
Além disso, as condições são favoráveis para o modelo de produção orgânica e agroecológia de alimentos desenvolvido pelos sem terras, pois está localizada num Córrego próximo à Pedra do Elefante, com elevada biodiversidade e remanescentes da mata atlântica que, inclusive, precisam ser preservados.
O que não vai acontecer, como alerta o MST, caso os responsáveis pela fazenda atendam ao pleito de sete associações ligadas ao Crédito Fundiário, que seriam coordenadas por uma empresa de consultoria sem compromisso com o meio ambiente e com um projeto diferenciado de produção, voltado apenas ao lucro. A área está sob posse de Inácio Américo Rodo, mas é administrada pela família Altoé.
No município havia outro acampamento, Antonio Conselheiro, na Fazenda Barão Genética, que foi desocupada junto com o Ondina Dias. Informações coletadas pelo MST apontam que a proprietária da fazenda improdutiva tem uma dívida de R$ 27 milhões com o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes). A reivindicação é que a área seja desapropriada ou comprada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), já que o Espírito Santo não pode realizar vistorias nem desapropriações até dezembro de 2017, devido ao Estado de Alerta instituído com a escassez hídrica.  
As famílias dos dois assentamentos, próximos, resolveram deixar as áreas na véspera do prazo estabelecido de reintegração, para evitar outra ação violenta como a que havia sido realizada uma semana antes, no Acampamento Fidel Castro, em Braço do Rio, Conceição da Barra. Na ocasião, a Polícia Militar usou trator para aniquilar mais de 50 hectares de produção e usou fogo para queimar os barracos que abrigavam os camponeses desde dezembro de 2016. 
Em todo o Espírito Santo, existem hoje cerca de mil famílias acampadas, aguardando assentamento.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Apertem os cintos...

Senadora Rose de Freitas, a ‘mãe do aeroporto’, corre o risco de perder o melhor da festa para Paulo Hartung

OPINIÃO
Editorial
Disciplina X Autoritarismo
Hartung tem sido um péssimo exemplo para a tropa da PM no que diz respeito ao cumprimento das leis
Gustavo Bastos
Sobre um pesadelo
“Nos meus oito ou nove anos de idade, eu tinha obsessão pelos diferentes nomes dados ao tinhoso”
Roberto Junquilho
Gestão hi-tech
O prefeito de Vitória, como seguidor da modernidade, agora virou ator de peças publicitárias
Geraldo Hasse
Cuba, Congo e Bolívia
Em livro extraordinário, o jornalista Flávio Tavares exuma o cadáver do mito Che Guevara
BLOGS
Flânerie

Manuela Neves

A arte de pilotar motocicletas – ou com Chico na garupa
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Yes, nós também!
Gustavo Bastos
Blog destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
MAIS LIDAS

Prefeitura vende o Saldanha da Gama para a Fecomércio

Amaro Neto fica no Solidariedade e confirma disputa ao Senado

Comunidade vence Hartung: abertas matriculas no ensino médio noturno

Cuba, Congo e Bolívia

O último adeus do Adiós, Me Voy