Seculo

 

Sindicalismo unilateral


17/10/2017 às 11:54
A ideia do sindicato é de que as categorias possam ter uma representação dos trabalhadores na mesa de negociação com as empresas e o Poder Público. Essa representação, porém, deve ter a participação e a aprovação dos trabalhadores. Cada pauta deve ser debatida e as decisões devem ser tomadas de forma mais democrática possível. Mas não é bem isso que se vê na dinâmica dos sindicatos ultimamente. 
 
E a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que deveria cuidar para que a democracia fosse sempre garantida, essa democracia parece fazer cada vez mais vista grossa para todas as formas de burla à democracia nos movimentos sindicais. 
 
O que se vê hoje em dia são decisões unilaterais tomadas em negociações de empresários e dirigentes sindicais, sem que se considere o debate com a categoria sobre o melhor caminho de se levar as negociações. Tá faltando democracia onde ela deveria ter seu fortalecimento. 
 
Foi justamente esse comportamento dos dirigentes sindicais e esse faz de conta da CUT que levou a classe trabalhadora a essa posição extremamente desfavorável que se encontra hoje, com um governo empenhado em facilitar o caminho para a perda de garantias da classe política. O governo facilita e o capital nada de braçada. A omissão e a falta de compromisso dos sindicatos, nesse sentido, transformam o movimento em mais direita que a própria direita. 
 
Foi por causa dessa omissão, que a direita tem tomado o comando do País e achatado ainda mais a classe trabalhadora. Isso tem muita relação com o processo eleitoral e a crise de representatividade do trabalhador brasileiro. Sem a ampliação do debate democrático desde a menor das associações, dificilmente, a classe trabalhadora vai conseguir virar o jogo e conseguir uma representatividade na política institucional. 
 
Por isso, a Central precisa começar do zero, reiniciando o processo de construção política-democrática dentro dos movimentos sociais. A criação de conselhos com a participação dos trabalhadores, que tenham punho para consertar a casa. E não só nos ambientes sindicais, mas em toda a sociedade, como foi proposto no governo Dilma Rousseff e o Congresso não aceitou. 
 
Ou a própria sociedade força o caminho para uma democracia, ou vai viver à mercê das decisões monocráticas, que quase nunca guardam alguma identidade com as necessidades da população. 
 
União, já!

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

Por trás das cortinas

Hartung não ataca mais Casagrande como antes. E vice-versa

OPINIÃO
Editorial
Maquiagem oficial
Depois de episódios de repressão, governo Hartung tira a semana para valorizar uma das piores áreas de sua gestão: segurança pública
JR Mignone
Rádio Carnaval
'Taí' um dos poucos eventos em que o rádio perde feio para a televisão
Roberto Junquilho
O dia seguinte
O governador Paulo Hartung terá que se voltar mais intensamente à sua sucessão, depois de desfeito o sonho de ser vice de Luciano Huck
Geraldo Hasse
Manobras perigosas
Os empresários, que surfaram na onda de Lula, estão assustados com a pororoca de Temer
JR Mignone
Banalização
O carnaval fez com que se desse uma trégua nas informações sobre política no Brasil
BLOGS
Flânerie

Manuela Neves

A arte de pilotar motocicletas – ou com Chico na garupa
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Yes, nós também!
Gustavo Bastos
Blog destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
MAIS LIDAS

Luiz Paulo disputará cadeira na Câmara dos Deputados pelo PPS

Sesc Glória abre inscrições para propostas de apresentações

Manobras perigosas

Banalização

Hospital Bezerra de Farias suspende atendimento por falta de médicos