Seculo

 

O ‘Santo Graal’ de Augusto Ruschi


18/10/2017 às 15:36
Os eventos recentes de desrespeito ao Museu Mello Leitão, camuflados sob a criação do Instituto Nacional de Pesquisa da Mata Atlântica (INMA), ressuscitam episódios históricos lamentáveis de lapidação da obra e do legado deixado por Augusto Ruschi à sociedade, os quais foram iniciados imediatamente após o falecimento de Ruschi dentro do próprio Museu. De 2013 em diante, pude testemunhar atos de perseguição a meu pai e sua obra dentro do Museu, algo que anteriormente eu apenas conhecia por histórias. 
 
Dentre esses eventos, que abrangem desde manobras jurídicas irresponsáveis a bizarras interpretações das próprias palavras de Ruschi, muito me chamou a atenção o ataque à sua moral. Isso esbarra na essência de Augusto Ruschi como indivíduo – um tópico ao qual me atento desde criança e que passarei a compartilhar através de ensaios intitulados “O Santo Graal de Augusto Ruschi”. 
 
Esse tópico trata da busca pela compreensão de sua verdadeira natureza, da identificação e entendimento das essências do indivíduo cuja própria vida foi uma lição de respeito ao meio ambiente. 
 
Metafisicamente, essa busca permite a interpretação de seus “acidentes” a partir de sua (s) essência (s), ou seja, as características pessoais responsáveis pela polivalência do menino que brincava com bichos, do Professor, do Engenheiro Agrônomo, do Advogado, do Imortal da Academia de Letras do ES, do Naturalista visionário, do diplomado da ASDEG, do Cientista filiado a várias entidades de pesquisa nacionais e internacionais, do Conservacionista atuante condecorado em diversos países, do Patrono da Ecologia no Brasil...
 
Buscar o Santo Graal de Ruschi é compreender como e porque ele foi um homem à frente do seu tempo e continua à frente do nosso. É entender sua ânsia por conhecimento sobre o mundo natural quando não se falava em meio ambiente, bem como o modo como incorporou valores ambientais no cotidiano social.
 
O desrespeito à obra de Augusto Ruschi representa um desrespeito à sociedade, pois compromete o conhecimento de seu Santo Graal, de sua essência. Esta, por sua vez, constitui uma fórmula vital às gerações presentes e futuras, uma vez que nossa sociedade ainda padece da enorme lacuna entre a existência de conhecimento junto à consciência ambiental e a dificuldade em praticar comportamentos ecologicamente corretos.
 
Não é novidade alguma que o Museu Mello Leitão tenha deixado muito a desejar no que se refere aos cuidados do patrimônio deixado por Ruschi, ou que o descaso com sua obra esteja prestes a ser continuado, e mesmo aumentado. Tratam-se de ações mesquinhas que certamente ampliarão o contraste entre a prática do Museu fundado por Ruschi e o novo instituto que o desmanchou. A verdadeira magia de Augusto Ruschi ainda está para ser revelada!
 
 

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