Seculo

 

Última chance


24/10/2017 às 18:13
O senador Paulo Paim (PT-RS) está puxando um seminário nacional sobre a possibilidade da criação de um estatuto de substituição da Consolidação das Leis Trabalhista (CLT), que teve um triste fim nas mãos do governo Michel Temer, com a ajuda do Congresso Nacional. Aliás, é para isso que serviu o golpe. 
 
É uma iniciativa interessante, porque a CLT trouxe muitas garantias, mas era uma copia da Carta del Lavoro - um documento de 1927, em que o Partido Nacional Fascista de Benito Mussolini apresentou as linhas de orientação que deveriam guiar as relações de trabalho na sociedade.
 
No Brasil as linhas gerais da Carta foram adotadas na criação da CLT porque o Partido Comunista se recusava discutir com Getúlio Vargas, já que não negociava com militar. Essa falta de diálogo gerou leis trabalhistas, que levaram Getúlio a ser chamado de o pai dos pobres, mas que na verdade era também a mãe dos ricos. 
 
Mas como nada é tão ruim que não possa piorar, a “reforma” de Temer, que teve participação importante do senador Ricardo Ferraço (PSDB), que foi seu relator, acabou tirando o pouco de direitos que ao longo dos anos, o Movimento Sindical conseguiu conquistar trabalhando com mexidas na CLT. 
 
Esse desgaste causado pela “reforma”, abre um espaço de discussão que pode permitir uma reflexão. Mas o movimento sindical não pode deixar que Paim discuta isso sozinho ou com seus pares apenas. Precisa se apresentar para o debate, fazer sugestões, pressões e tentar emplacar nesse processo a visão do trabalhador de uma nova legislação a partir do fim da CLT, que não beneficie apenas o capital. 
 
Esta pode ser a última chance de o movimento sindical tentar manter ou ampliar algumas garantias para o trabalhador brasileiro, diante de um duro golpe sofrido no Congresso e no Palácio do Planalto, financiado pelo empresariado. 
 
Paim quer apresentar a primeira versão desse novo estatuto em 1º de maio de 2018, mas sabe que será difícil aprova-lo antes de 2019. Isso não significa que o Movimento Sindical tenha tempo para empurrar propostas com a barriga. É preciso entrar já no debate, antes que o espaço se feche. 
 
É agora ou nunca!

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