Seculo

 

Sinais de Hartung


02/11/2017 às 19:44
É de conhecimento geral a ojeriza que o governador Paulo Hartung tem por criação de gastos permanentes e dívidas. Sempre de olho nas planilhas, o economista Paulo Hartung gosta de ver seus balancetes sempre no azul. Daí a falta de concursos públicos em seus dois governos anteriores, a mudança da forma de pagamento para os servidores, e a depreciação do serviço prestado na saúde, educação e segurança. 
 
Sua política sempre foi a de atrair investimentos – embora sua lógica de inflar as renúncias fiscais sempre tenha beneficiado um pequeno grupo em troca da não entrada de impostos nos cofres do Estado –, e enxugar ao máximo a máquina pública – embora a acomodação de aliados não permita essa minimização dos gastos com pessoal. 
 
Mas, ao mandar para a Assembleia um projeto de lei que permite o Estado a parcelar suas dívidas com a União, sendo pagas a partir de 2019, o governador cria para o próximo governo um problema. Isso pode ser entendido nos meios políticos como um sinal de que ele não vai pagar essa dívida, vai deixar para um sucessor. 
 
Aliada à sua intensa movimentação para ser vice em uma chapa presidencial, sugere que vai tentar emplacar um aliado no governo do Estado. Estaríamos assistindo a uma repetição do ocorrido em 2010, quando ele passou o governo – ainda que a contragosto – para Renato Casagrande e quatro anos depois voltou para dizer que seu sucessor quebrou o Estado? 
 
Pelas movimentações de seu vice, César Colnago, para garantir sua vitória na disputa interna do PSDB capixaba, é possível imaginar que o tucano foi o escolhido pelo governador para herdar seu legado e comandar o Estado, sob a batuta de Hartung pelos próximos quatro anos a partir de 2019. Neste caso, Colnago que se cuide. 
 
Ele já deu mais de uma vez demonstração de sua lealdade ao governador Paulo Hartung, mas vai mesmo topar encarar quatro anos de governo, como fez Renato Casagrande, com o pé no freio, jogando para debaixo do tapete todos os problemas encontrados nas gavetas do Anchieta e sob a intensa vigilância dos emissários de Hartung, que nunca saíram do governo? 
 
Renato Casagrande saiu do governo sem uma marca de sua gestão e ainda com o rótulo de mau gestor, construído com a ajuda de um estudo encabeçado por Ana Paula Vescovi e Haroldo Rocha, aliados de primeira linha de Hartung. 
 
Mas isso só vai acontecer se Colnago conseguir criar as condições para garantir sua eleição. E aí fica a dúvida: vale mesmo a pena gastar tanta energia para depois de quatro anos poder ser descartado, como aconteceu com Casagrande?

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