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Prefeitura de Vitória busca novo imóvel para creche que viveu dias de intolerância


08/11/2017 às 18:17
A Prefeitura de Vitória vai realocar o Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Professora Cida Barreto, que hoje funciona em área da Igreja Evangélica Batista de Vitória, em Pontal de Camburi. Em agosto, a creche sofreu um ato de intolerância religiosa que chocou a comunidade escolar da capital. Na ocasião, o pastor da igreja, João Brito, determinou a retirada de um painel feito por crianças com bonecas Abayomi, de origem africana. 
 
Brito qualificou as bonecas negras como “símbolo de macumba”. A prefeitura paga cerca de R$ 40 mil mensais pelo aluguel do espaço. 
 
A decisão da prefeitura atende a uma recomendação do Ministério Público Estadual (MPES). “A Prefeitura de Vitória informa que, em atendimento ao Ministério Público Estadual, procedeu, nesta quarta-feira, chamamento público para identificação de imóvel em Jardim da Penha para funcionamento do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Professora Cida Barreto”, informou a Secretaria Municipal de Educação (Seme), por nota.
 
No entanto, o Procedimento Preparatório registrado na 7ª Promotoria de Justiça corre sob sigilo. Segundo comunicado da secretaria, publicado no Diário Oficial do município desta quarta-feira (8), o imóvel deve ter cerca de 600 metros quadrados de área construída com, no máximo, dois pavimentos, entre outros requisitos. 
 
O painel foi resultado de aulas sobre as culturas africana e afro-brasileira, ministradas pela professora Eduarda Rossana, e integrava o programa institucional da escola chamado “Diversidade”. 
 
A palavra “abayomi” tem origem yorubá, idioma da família Níger-Congo de dois países africanos e é falado na parte oeste da África, principalmente na Nigéria, Benin, Togo e Serra Leoa. A boneca se originou na época da escravidão, quando mães que estavam nos navios negreiros as confeccionavam com o pano de suas saias, único disponível no navio, para entreter os filhos.
 
A atitude do pastor provocou um protesto realizado pela comunidade escolar da creche na Praça Regina Frigeri Furno em repúdio ao preconceito.
 

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